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Número de feridos por armas de fogo aumenta no Rio

O agravamento da violência no Estado tem mais uma alarmante estatística. Levantamento feito pelo médico Tomaz Nassif, chefe do serviço de Microcirurgia Reconstrutiva do Hospital Servidores do Estado (HSE), mostra que de 1990 a 2001 houve um aumento de 30% nos casos de lesões traumáticas de nervos periféricos causados por arma de fogo (PAF). Os nervos periféricos são os que estão do lado de fora do sistema nervoso central e que comandam os movimentos da face, braços e pernas. Há 11 anos, conta Nassif, as lesões PAF representavam 15% do atendimento ambulatorial do HSE. No ano passado chegou a 45%."Esse resultado me assustou", disse o médico, que atribui tal estatística ao "inegável" aumento da criminalidade no Rio. Para se ter uma idéia, em igual período os casos de lesões de nervos periféricos por acidente de trânsito cairam de 30% para 20%, os por contusão registraram redução de 15% para 10%, e os de arma branca se mantiveram estáveis em 5% dos atendimentos no Hospital Servidores do Estado, que ainda este ano inaugura o Instituto Nacional de Neurociências, uma iniciativa do Ministério da Saúde. SeqüelasDe acordo com Tomaz Nassif, atualmente o HSE atende em seu ambulatório 30 pacientes por semana. Desse total, 40% são por lesões de nervos periféricos. São quatro casos de cirurgia semanalmente, totalizando 200 por ano.Apesar do aumento da violência, o chefe do HSE ressalta que o fato de mais pacientes estarem sendo atendidos no serviço de Microcirurgia Reconstrutiva também pode ser atribuída à hipótese de que as vítimas de arma de fogo estão morrendo menos. "O atendimento em emergência atualmente é muito melhor, o que aumenta as chances de sobrevivência", argumenta. Esta interpretação é partilhada pelo diretor do Hospital Quinta D, Rodrigo Gavina, especialista em cirurgias de baleados. "Realmente, no Rio, quem escapa de morrer no próprio local onde sofreu a violência, já encontra maiores possibilidades de sobrevivência. Porém, ficam com seqüelas mais pesadas", diz Gavina. "Hoje as armas são mais poderosas e seus impactos muito maiores", completa.

Agencia Estado,

21 de maio de 2002 | 18h16

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