Número de jovens assassinados cresce 77%

Em dez anos, o número de homicídios de jovens aumentou 77% no Brasil. No ano 2000, 17.762 jovens brasileiros entre 15 e 24 anos foram assassinados, o que representou 39,2% de todas as mortes nessa faixa etária. Uma parcela significativa delas (30,5%) envolveu armas de fogo. Esses números colocam o homicídio como a principal causa de morte de jovens no Brasil, dando ao País um desconfortável 3º lugar em um ranking de homicídio juvenil entre 60 países analisados. Os dados estão em um estudo realizado pela Unesco, a agência das Nações Unidas para a educação, cultura e ciência, em parceria com o Instituto Ayrton Senna e o Ministério da Justiça, intitulado Mapa da Violência 3.O trabalho usa dados oficiais sobre óbitos do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde. O estudo está na terceira edição e os resultados reforçam uma tese já levantada nas versões anteriores e em outros documentos, como o Censo 2000: a de que os jovens são as principais vítimas da violência, sobretudo dos homicídios. Na população como um todo, as causas externas (homicídios e acidentes de transporte, por exemplo) foram responsáveis por 12,2% das 45.919 mortes ocorridas no ano 2000 entre a população em geral. Os homicídios responderam por 4% do total. É uma taxa bem menor do que a registrada na faixa etária de 15 a 24 anos. Entre os jovens, as causas externas provocam 70,3% das mortes.O alvo preferencial são os homens (93,3% do total) de 20 anos. Entre os jovens, os homicídios estão ainda bem à frente das outras causas de óbito analisadas no estudo - os acidentes de transporte e o suicídio. No ano 2000, 14,2% das mortes de jovens ocorreram em acidentes de trânsito - e a tendência é de queda. Os suicídios foram 3% do total. Já os assassinatos foram motivo de 39,2% dos óbitos.?São dados muito fortes. São números maiores que os da Intifada, que matou 1.400 pessoas em 17 meses em Israel, onde há uma guerra declarada?, disse o autor do estudo Jacobo Waiselfisz, diretor do escritório da Unesco em Recife.O secretário nacional dos Direitos Humanos, Paulo Sérgio Pinheiro, classificou a situação como uma ?epidemia?. ?É extremamente preocupante. Requer medidas precisas, políticas públicas específicas para o jovem?, afirmou o secretário. Mas, segundo ele, a responsabilidade do problema é dos governos estaduais. ?A culpa é dos Estados?.Mais do que os números propriamente ditos, o que parece mais grave, na opinião do representante da Unesco no Brasil, Jorge Werthein, é a tendência de crescimento dos homicídios de jovens. Segundo o estudo, houve um aumento médio de 9% ao ano na década de 90. Além disso, o avanço dos homicídios nessa faixa etária é mais intenso do que no restante da população, como demonstra uma comparação das taxas de óbito entre 1991 e 2000.Na população como um todo, a taxa subiu de 20 para 27 assassinatos por grupo de 100 mil pessoas. Entre os jovens, o salto foi de 35,2 para 52,1. ?É fundamental priorizar as políticas para o jovem. É preciso tomar medidas preventivas em vez de se limitar à repressão da criminalidade?, ressaltou Werthein. Além dessas políticas, são necessárias ações que mudem a mentalidade das pessoas, disse Weiselfsz. ?A combinação das desigualdades sócio-econômicas com fatores culturais são os principais propulsores da violência?.É isso, na opinião do autor, que explica por que, entre as cinco regiões do País, o Nordeste registrou o maior índice de aumento de homicídios na década de 90 ? 125,6% entre os jovens e 60,7% na população em geral. ?No Nordeste, questões banais são resolvidas em conflitos armados. Já no Sudeste e nas regiões mais ricas os homicídios estão relacionados à criminalidade?, disse. Dentro do Nordeste, Pernambuco foi o Estado em que o número de assassinatos mais aumentou. Por isso, o Estado está na liderança do ranking nacional de homicídios. É o 1º para a população em geral (52,3 assassinatos por grupo de 100 mil pessoas) e o 2º quando se considera a população jovem (102,8). No ranking das capitais, Recife está em 1º lugar (221,3). Rio de Janeiro é o Estado líder em óbitos de jovens (107,6). O último colocado é Santa Catarina (10,2) assim como a capital do Estado, Florianópolis (12,9).

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