Número de mortes chega a 94 na Bahia após início da greve da PM

Onda de violência ameaça turismo no Estado há poucos dias do carnaval; governo não cogita anistia

Reuters,

06 Fevereiro 2012 | 18h24

SALVADOR - Subiu para 94 os homicídios registrados na Bahia desde o início da greve da Polícia Militar no Estado. O número foi informado às 18h desta segunda-feira, 6, pela Secretaria de Segurança Pública. Segundo o governo, dois dos assassinatos ocorreram em Salvador e ao menos outros quatro na região metropolitana.

A duas semanas do carnaval, mais de 3 mil tropas federais foram mobilizadas para tentar sufocar o protesto e garantir a segurança da população e dos milhares de turistas esperados para passar o feriado no Estado.

Os grevistas ocuparam a sede da Assembleia Legislativa e o local foi cercado por 1.000 homens do Exército, que entraram em confronto com manifestantes que tentaram entrar no local nesta segunda.

Membros das Forças Armadas usaram balas de borracha e bombas de gás para dispersar os manifestantes, que queriam se juntar a cerca de 200 policiais militares e seus familiares que ocuparam a Assembleia estadual.

Negociação sem anistia. O governo do Estado diz que está negociando com os grevistas, que, liderados pela Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), pedem reajuste salarial, aumento das gratificações e anistia aos participantes da paralisação.

A greve, de acordo com estimativas da Polícia Militar do Estado, atingiu cerca de 20% da força de 31 mil homens. "Estamos com duas frentes de negociação. Uma em relação à desocupação (da Assembleia), e outra em relação ao movimento", disse à Reuters o secretário de Comunicação do governo baiano, Robinson Almeida.

Segundo o secretário, a administração do governador Jacques Wagner (PT) já ofereceu reajuste salarial de 6,5% retroativo a 1o de janeiro e está aberta a negociar as gratificações.

Uma anistia, no entanto, está descartada. O governo argumenta que, como a Justiça da Bahia emitiu 12 mandatos de prisão contra líderes do movimento, Wagner não tem como anistiar os grevistas.

Turismo. A crise na segurança do Estado ameaça prejudicar o setor turístico antes do carnaval. "Estamos apreensivos porque, se isto continua, podemos ter cancelamentos futuros e pode haver um impacto no número de turistas que vêm para o Carnaval", disse Maria Ângela Ballalai de Carvalho, vice-presidente da Agência Brasileira de Agências de Viagens (Abav). Segundo ela, por enquanto ainda não houve cancelamentos. 

Os sites do governo do Estado na Internet estavam fora do ar nesta segunda-feira. O grupo de hackers Anonymous afirmou em sua conta no Twitter que a saída dos sites do ar era resultado de um ataque do grupo, que recentemente também atingiu sites de bancos brasileiros.

A Secretaria de Comunicação do governo do Estado, no entanto, negou que as páginas do governo na Internet tenham sido alvo de ataques e afirmou que a saída dos sites do ar se deveu a uma queda de energia.

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