Wilton Junior/Estadão - 20/02/22
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Petrópolis: Número de mortos chega a 231; tragédia é a mais fatal da história da cidade

Com buscas por cinco desaparecidos ainda em andamento, situação supera a de 1988 em quantidade de vítimas, segundo dados da Defesa Civil municipal

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2022 | 21h33
Atualizado 01 de março de 2022 | 09h08

As chuvas e os deslizamentos registrados em Petrópolis em 15 de fevereiro resultaram em ao menos 231 mortes, de acordo com a Defesa Civil Nacional. As buscas por cinco desaparecidos seguem em andamento, embora os trabalhos tenham sido encerrados no Morro da Oficina. A situação supera a então mais trágica da história do município da serra fluminense, de 1988, quando foram registrados 171 mortos, segundo dados da Defesa Civil da cidade.

Entre os mortos da tragédia mais recente, mais de 40 eram menores de idade. Segundo o balanço mais recente, das 20 horas de segunda-feira, 28, 876 pessoas estão desabrigadas ou desalojadas. Pelo menos 24 pessoas foram resgatadas com vida, além de cerca de 300 animais domésticos.

Neste século, a maior tragédia havia ocorrido em 2011, com 71 mortos em Petrópolis e mais de 900 na serra fluminense (a maioria em Nova Friburgo, 428 mortos, e Teresópolis, 387), segundo o Atlas Brasileiro de Desastres Naturais. De acordo com dados compilados pela Defesa Civil de Petrópolis, de 1966 a 2017, foram registradas vítimas em 1966 (80 mortos), 1977 (11), 1979 (87), 1988 (171), 1997 (6), 2001 (51), 2003 (17), 2007 (3), 2008 (9), 2009 (6), 2010 (1), 2011 (73), 2013 (34), 2016 (2) e 2017 (1).

Segundo o "Plano de contingência do município de Petrópolis para chuvas intensas - Verão 2021/2022”, elaborado pela Defesa Civil municipal, há relatos de inundações na cidade desde 1850, porém os casos se tornaram mais graves no século seguinte, especialmente com o avanço da urbanização para áreas de encostas.

“As características  geológicas,  o  processo  de  urbanização e  a  ocupação  do  solo, além das  alterações  físicas  e  naturais  nas  regiões  dos  cinco  distritos,  reforçam  a  condição suscetível  a  movimentos  de  massa,  principalmente  quando  há  o  incremento  dos  índices pluviométricos”, aponta.

“Petrópolis,  nas  últimas  décadas,  vem  sofrendo  uma  intensa expansão  urbana,  sem  um  planejamento  adequado  do  uso  do  solo.  A  ocupação desordenada  nas  áreas  de  encosta  da  cidade,  com  construções  de  edificações  sem acompanhamento  técnico  especializado,  associada  à  falta  de  percepção  de  risco  da população  e  à  condição  social  existente,  é  uma  realidade  que  potencializa  o  grau  de  risco em relação  aos  eventos  de  movimentos  gravitacionais  de  massa,  enchentes  e  inundações.”

O relevo também é um fator relacionado às fortes chuvas na cidade. “O relevo  de  Petrópolis  atua  como  fator  importante  no  aumento  da  turbulência  do  ar, principalmente  na  passagem  de  frentes  frias  e  linhas  de  instabilidade  onde  o  ar  se  eleva  e perde  temperatura,  ocasionando  fortes  e  prolongadas  chuvas.  A  posição  geográfica  de proximidade  com  o  trópico  permite  uma  forte  radiação  solar,  e  a  proximidade  com  a superfície  oceânica,  aumentando  o  processo  de  evaporação,  que  favorece  a  formação  de nuvens  que  irão  se  precipitar  sobre  a  região”, destaca o plano,

A cidade fica em uma serra, a cerca  de 840 metros de altitude média. A população total estimada é de 307,1 mil habitantes, segundo o IBGE. Quase 20% do território de Petrópolis abrange áreas avaliadas como de risco alto e muito alto para deslizamentos, enchentes e inundações, segundo o Plano Municipal de Redução de Riscos, divulgado em 2017 pela prefeitura. De acordo com o estudo, a cidade tem 27.704 moradias em locais de alto e muito alto risco.

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