Marcos de Paula/AE
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Número de mortos em decorrência da chuva em Petrópolis sobe para 27

De acordo com a Defesa Civil, a cidade tem 21 pontos de escorregamentos e alagamentos

Marcelo Gomes; Marcos D'Paula e Clarissa Thomé - Atualizado às 18h35,

19 Março 2013 | 11h11

PETRÓPOLIS - Subiu para 27 o número de mortos vítimas de deslizamentos e desmoronamentos em Petrópolis, na região serrana do Rio. O último corpo encontrado é de um homem que parou o carro na noite de domingo (17), em Lopes Trovão, para ajudar outras pessoas e acabou soterrado por um deslizamento de terra. No total, são 1.466 desalojados.

De acordo com a Secretaria de Estado de Defesa Civil (Sedec), a cidade tem 21 pontos de escorregamentos e alagamentos. Duzentos e cinquenta bombeiros e agentes da Defesa Civil trabalham para resgatar as vítimas. A Sedec informou que os corpos foram encontrados em sete bairros (cinco em Quitandinha, cinco em Independência, quatro em Bingen, dois em Alagoas, um em Doutor Thouzet, um em Lagoinha e um em Lopes Trovão. Não foram divulgados os locais onde seis corpos foram encontrados. Além disso, duas pessoas morreram em hospitais da cidade.

Mais cedo, bombeiros retiraram de dentro de um rio dois corpos de vítimas soterradas na vila São Joaquim, em Petrópolis. O rio passa a cerca de 500 metros do local onde ficavam as casas. Moradores encontraram o corpo de um adolescente identificado como Vinícius e chamaram os bombeiros. Logo depois, eles encontraram outro corpo no riacho. Pela manhã, os bombeiros resgataram o corpo de um menino soterrado na Vila São Joaquim, no bairro Quitandinha. O secretário estadual de Defesa Civil, coronel bombeiro Sérgio Simões, estima que entre 10 e 15 pessoas ainda estejam soterradas pela avalanche de lama que destruiu pelo menos três casas nesta localidade no fim da noite de domingo.

"O trabalho aqui está muito difícil porque o terreno está enlameado. Até os cães farejadores afundam na lama e como o terreno ainda está encharcado há risco de novos deslizamentos", disse.

Parentes de desaparecidos continuam a acompanhar as buscas. O zelador Davi Ventura Fernandes, de 48 anos, está desde a manhã de segunda-feira no local, em busca de informações do irmão, Pedro Ventura Fernandes, de 45 anos, da mulher dele, Cristina, de 44, e dos dois filhos do casal, Nicolas, de 8, e Letícia, de 4.

"Eu soube da tragédia quando saí do trabalho, às 7 horas de segunda. Vim direto para cá, mas a viela que levava até a casa do meu irmão está interditada pelos bombeiros. Sei que eles estão lutando bastante, mas até agora não conseguimos nada. Hoje eu vim de botas para ajudar nas buscas. Meu irmão sofreu muito para construir a casinha dele. Carregou na mão as pedras e os tijolos, morro acima. Ele se preocupou em fazer a contenção de uma encosta próxima e fez os pilares da casa direitinho, mas não adiantou. Somos nascidos em Santa Maria Madalena (no interior do Estado) e viemos para Petrópolis há mais de 20 anos para conseguir uma vida melhor", disse Fernandes, que também trouxe seu outro irmão, José para ajudar a encontrar Pedro e sua família.

Em outra casa que desabou, vizinhos contam que havia oito crianças, que participavam de uma festa de aniversário da mãe delas, Maria Cristina Bender. Jesus dos Reis Neves, pai de um dos meninos, Luís Fernando Mendes, de 16 anos, também está desde ontem à espera do resgate. Na tarde de segunda-feira, ele chegou a cavar o barranco com as próprias mãos à procura do menino, quando os bombeiros interromperam as buscas. Mas foi retirado do local, por motivos de segurança. "Vamos tentar chegar ao local do desabamento pela parte de baixo, pela rodovia (BR-040). Vou procurar meu filho com a ajuda de moradores antigos, já que por aqui, na parte de cima, os bombeiros não estão nos deixando ajudar.

Além da Vila São Joaquim, bombeiros fazem buscas no bairro Alto Independência, onde também há informações de desaparecidos. Cerca de 250 bombeiros participam do trabalho, sendo 130 do Quartel de Petrópolis e 120 especialistas em busca e salvamento que vieram do Rio de Janeiro.

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