Sérgio Moraes/Reuters
Sérgio Moraes/Reuters

Número de mortos em operações no Rio chega a 13, diz polícia

Cidade já sofre o quarto dia de ataques; pelo menos 14 suspeitos foram presos em diversas localidades

Estadão.com.br,

24 Novembro 2010 | 12h14

SÃO PAULO e RIO - A Polícia Militar (PM) do Rio de Janeiro aumentou o número de mortos no balanço parcial da operação que realiza em diversos locais em resposta à onda de crimes na cidade. Segundo a PM, pelo menos 12 pessoas foram mortas desde terça-feira à noite e outras três ficaram feridas. Por enquanto, 14 foram presos nas operações, incluindo dois suspeito de incendiar um ônibus.

 

Oito mortes foram registradas em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, em ações do 39º Batalhão (Guaxá) e 54º Batalhão (Jardim Floresta).  Duas pessoas foram presas e foram apreendidos um fuzil AR15, três pistolas 9mm, uma pistola 380, uma espingarda calibre 12, uma pistola 40, uma submetralhadora calibre 9mm e três mochilas com drogas.

 

Outras três mortes ocorreram na comunidade Faz Quem Quer, em Rocha Miranda, e outro suspeito morreu no Morro do Tuiuti, em São Cristovão, todos na zona norte carioca. Nestes locais, quatro pistolas e um revolver foram apreendidos. No Morro do Encontro, um suspeito foi preso. Na Vila Kennedy, uma pessoa foi detida e foram encontradas uma granada, duas bombas caseiras, uma garrafa pet com material inflamável e uma moto foi recuperada.

 

 Duas pessoas foram presas em Antares, onde grande quantidade de entorpecente ainda não contabilizado (maconha, crack e lança perfume) foi apreendida. Em Rolas, cinco foram detidos, entre eles um foi reconhecido como participante da queima de um ônibus. Em Anchieta, duas pessoas foram presas.

 

No Complexo do Alemão, na Penha, zona norte, três inocentes foram baleados. De acordo com as primeiras informações, eles são um policial, um homem de cerca de 30 anos, que foi ferido no pé, e o empresário Alvaro Lopes, de 81 anos, baleado no braço esquerdo, no pátio de sua empresa. "Vi o caveirão passando e senti o meu braço ensanguentado. Eu estava no pátio e não tive tempo para nada", disse o empresário que já teve alta do Hospital Getúlio Vargas.

 

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Alerta. Por causa da onda de ataques na cidade, o comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, assinou um decreto que coloca a corporação em estado de prontidão. Com isso, todas as folgas dos policiais são suspensas e os agentes precisam voltar aos batalhões de todo o Estado.

 

O secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame, disse na terça-feira que acionará a Força de Segurança Nacional caso seja necessário. Além disso, será intensificada a presença de policiais rodoviários em determinadas áreas e 13 presos que integram facções criminosas devem ser transferidos de presídios.

Ataques. Criminosos ignoraram o reforço do policiamento nas ruas e queimaram 13 veículos, desde às 22 horas de ontem. O primeiro carro foi incendiado na noite de ontem, por volta das 22 horas, na Avenida Paulo de Frontin, no Rio Comprido, acesso ao Túnel Rebouças, principal ligação entre a zona norte e a zona sul da cidade.

 

Em seguida, quatro carros foram queimados em Niterói, na Região Metropolitana, com coquetéis molotov. Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, os bandidos fuzilaram uma cabine da Polícia Militar e queimaram um Fiat Palio. Em Belford Roxo, também na Baixada Fluminense, dois ônibus da Viação Regina foram queimados. Na Via Dutra, na altura de Engenheiro Pedreira um coletivo da viação Expressão São Geraldo foi incendiado.

 

Dois ônibus foram queimados foram queimados em São Gonçalo, na Região Metropolitana. Um caro foi queimado no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio. Nesta manhã, um ônibus da Viação Três Amigos foi queimado em Vicente de Carvalho, no subúrbio do Rio, nas proximidades da estação do Metrô, que não interrompeu os serviços por causa do ataque.

 

Em Santa Cruz, na zona oeste, outros dois coletivos foram incendiados. Um ônibus foi atacado na Rua Felipe Cardoso, enquanto uma van foi queimada na Rua Urucrânia. Ao menos quatro passageiros ficaram levemente feridos neste último ataque.

 

O suspeito de ter realizado um dos ataques, em Vicente de Carvalho, foi preso indo em direção ao Morro do Juramento. Segundo a Divisão de Homicídios, que efetuou a prisão, Magno Tavares Santos, de 24 anos, é morador do Complexo do Alemão, na Penha, e foi reconhecido por testemunhas.

 

 

(COM PEDRO DANTAS, SOLANGE SPIGLIATTI, GABRIELA MOREIRA, PRISCILA TRINDADE E LUCIANA FADON VICENTE)

 

Atualizado às 16 horas

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