Número de mortos em Petrópolis já chega a 16

Pelo menos 16 pessoas morreram em Petrópolis, em mais uma tragédia provocada pelas chuvas na região serrana do Rio. Doze vítimas, entre elas seis crianças, foram soterradas em quedas de barreiras no bairro do Contorno, no quilômetro 81 da BR-040. Quatro pessoas morreram afogadas dentro de automóveis. Não há desaparecidos.Durante todo o dia, retroescavadeiras retiraram grandes quantidades de terra, que deslizou com a força da água. Enquanto isso, moradores observavam sem ter para onde ir. O catador de lixo Marcelino João, de 34 anos, assistiu ao resgate dos corpos de nove parentes. Muito abalado, ele contou que a casa onde vivia a ex-mulher, seus três filhos, um enteado, a sogra e três sobrinhos havia sido condenada pela Defesa Civil em outro temporal. "É uma coisa inexplicável. Acompanhei o resgate, mas depois preferi assistir de longe, porque é muito duro perder as pessoas dessa forma", disse.Os parentes mortos foram a ex-mulher, Sandra Helena Barbosa, 37 anos, os filhos Monique, Maíra e Maicon Barbosa João, de 15, 12 e 11 anos, o enteado Igor Barbosa Laureano, 7, os sobrinhos Fabiano, Lais e Ludimila Silveira, de 20, 12 e 4 anos, e a sogra Lourdes Barbosa Silveira, de 61 anos. As outras vítimas no bairro do Contorno foram Eduardo Almeida Fernandes, João Batista Filho e um bebê, que chegou a ser retirado com vida e levado para um hospital, mas não resistiu aos ferimentos. O bebê e as vítimas de afogamento não foram identificadas. Mesmo com risco de novos desmoronamentos, há quem tenha resistido a deixar as áreas condenadas, por não ter a quem recorrer. É o caso de Pedro Palis, de 35 anos, que está desempregado e não tem parentes em Petrópolis. "Moro no Contorno há 35 anos. Não tenho idéia de onde ir." Em vários pontos da cidade houve queda de barreiras e de árvores. Hoje foi dia de limpar as ruas e contar os prejuízos. Muitas lojas invadidas pelas águas não abriram as portas. Durante todo o dia, não choveu em Petrópolis. Mas a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é de chuvas até quarta-feira. Segundo a prefeitura, choveram, em apenas 50 minutos, durante a madrugada, 180 milímetros, quando a previsão era para o volume oscilar entre 15 e 30 milímetros. Amanhã de manhã, a governadora Rosinha Matheus (PSB) deverá ir à cidade. Segundo o secretário de Estado de Defesa Civil, coronel Luiz Carlos Alberto de Carvalho, o município receberá R$ 200 mil para ajudar as famílias e reconstruir as ruas. A secretária de Programas Sociais de Petrópolis, Aparecida Barbosa da Silva, informou que toda a região do Contorno já havia sido condenada depois do temporal de janeiro do ano passado, quando 1056 pessoas ficaram desabrigadas na cidade. Segundo ela, 50 famílias do morro foram removidas para casas populares construídas pela prefeitura na região do Quitandinha. Além disso, já havia sido aprovada a verba de R$ 511 mil para obras de contenção de encostas e reflorestamento da favela. " Toda a região é de risco. Temos que recuperar onde ainda dá para morar e retirar as famílias das casas condenadas." Duzentas e vinte famílias que perderam suas casas há um ano continuam recebendo auxílio-aluguel de até R$ 200,00 da prefeitura.Por causa da chuva da madrugada, vários bairros e municípios do Rio tiveram problema de abastecimento de energia elétrica. De acordo com a Light, os ventos derrubaram muitas árvores e galhos, que danificaram a rede aérea, principalmente em bairros como Alto da Boa Vista, Grajaú (ambos na zona norte) e Jacarepaguá, na zona oeste. Uma problema na subestação de Curicica deixou boa parte de Jacarepaguá sem energia.Na cidade, 12 bairros foram afetados. Na Baixada Fluminense, a chuva deixou sem energia elétrica bairros dos municípios de Nova Iguaçu, Vilar dos Telles, Duque de Caxias, Guapimirim e Nilópolis. Houve ainda queda de árvores, de placas de sinalização e alagamento de ruas das zonas sul, norte e oeste.Chuvas mataram 45 pessoas em Petrópolis entre 2001 e 2002Petrópolis tem um triste histórico em relação às tempestades. Entre dezembro de 2001 e janeiro de 2002, as fortes chuvas mataram 60 pessoas no Estado do RJ, 45 delas na cidade serrana. Para reconstruir a cidade após a tragédia, a prefeitura precisou abrir frentes de trabalho com mil vagas ? foram necessários R$ 89 milhões dos governos federal e estadual para recuperar o município e erguer 2.500 casas populares.No início de 2000, seis pessoas morreram nas cidades de Petrópolis e Teresópolis por causa das chuvas. Em novembro de 1996, dois adultos, um adolescente e três crianças morreram soterrados com o deslizamento de uma encosta sobre suas casas na cidade. Quatro ficaram feridos.

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