Número de motoristas presos por embriaguez aumenta 38,2%

Casos passaram de 3.820, no 1.º semestre da lei seca, para 5.283, conforme dados da PRF

Fernanda Aranda e Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2009 | 00h00

O número de motoristas presos por dirigirem embriagados aumentou 38,2% nas estradas federais brasileiras entre o primeiro e o segundo semestre de vigência da Lei 11.705, a chamada lei seca. Um balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostra que a quantidade de casos passou de 3.820 para 5.283 entre os dois períodos. Embora em uma proporção menor, também cresceu a quantidade de pessoas flagradas com até 0,29 mg de álcool por litro de ar expelido no teste de bafômetro - infração que provoca suspensão da carteira de habilitação e multa de R$ 957,70.A PRF indica que o aumento no número de pessoas presas é decorrência de um aperto na fiscalização feita nas estradas. A quantidade de testes de bafômetros realizados nas estradas de todo o País foi quase nove vezes superior na comparação entre o primeiro e o segundo semestre de lei seca - passou de aproximadamente 38 mil para 320 mil. Por isso, houve uma diminuição na proporção entre flagrantes e número de testes de bafômetro: nos seis meses iniciais, foi de um flagrante para cada seis testes realizados e no período seguinte passou para um em cada 40."Isso mostra que as pessoas ainda não foram conscientizadas neste primeiro ano de lei seca e ainda há muitos motoristas que bebem e dirigem. Já estava na hora de reduzir as infrações, mas o aperto na fiscalização cada vez mais pega esses motoristas", diz o presidente da Associação de Vítimas de Trânsito (Avitran), Salomão Rabinovich. A PRF também informou que, desde a publicação da lei, o porcentual de autuações a motoristas que se recusaram a soprar o bafômetro caiu de 18% para 13%. O primeiro balanço dos 12 meses de lei seca da Polícia Rodoviária Federal também aponta uma pequena redução no número de mortos nas estradas federais: 2%. Foram 6.614 entre o dia 20 de junho de 2008 e 16 de junho de 2009, ante 6.729 no período anterior. Por outro lado, cresceu o número de acidentes (7%) e feridos (4%). A PRF ressalta, no entanto, que houve um aumento de aproximadamente 9% na frota brasileira. SÃO PAULOOs dados no Estado de São Paulo são melhores em relação aos números do País. Houve grande queda no número de mortes e feridos em acidentes nas rodovias federais que cortam o Estado. Por outro lado, aumentou a quantidade de acidentes. O número de mortes apresentou redução de 21%, passando de 390, entre 20 de junho de 2008 e 16 de junho de 2009, para 308 no período equivalente anterior. A quantidade de feridos passou de 4.882 para 4.617. No entanto, o número de acidentes apresentou uma alta de 3%, indo de 10.948 para 11.296.Os especialistas alertam, no entanto, que uma série de fatores provocou a redução no número de mortes e não somente a vigência da lei seca. Um dos aspectos citados é o aperto na fiscalização, o que teria provocado um efeitos inibidor em outras infrações, como é o caso do excesso de velocidade. O presidente da Comissão de Trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cyro Vidal, aponta também a melhoria na qualidade de muitas rodovias no País e em São Paulo, após o início do regime de concessão. Isso em muitas delas resultou, entre outros elementos, na colocação de mais radares para atuar como fiscalizadores de velocidade. "A lei seca é um avanço na legislação, mas não se pode atribuir a redução no número de mortes unicamente a ela. Houve também melhora na qualidade de muitas estradas, que anteriormente eram campeãs de acidentes, e também a colocação de radares", diz Vidal. "É preciso também barrar os motoristas lúcidos que colocam em risco a vida das pessoas."

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