Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Leniência da Justiça criou país de 'ricos delinquentes', diz Barroso

Segundo ministro do Supremo, número de presos por corrupção é 'insignificante', mas não porque esse tipo de crime não aconteça

Altamiro Silva Junior e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S. Paulo

28 Março 2017 | 20h11

Menos de 1% da população carcerária brasileira é de condenados por corrupção, disse em evento nesta terça-feira, 28, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso. "É traço no Ibope e, infelizmente, não é porque não aconteça este tipo de criminalidade", afirmou em debate com a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para discutir a descriminalização do uso da maconha e outras drogas. 

A maior demanda da sociedade brasileira, segundo Barroso, é a prisão por crimes de violência e por corrupção, incluindo práticas como sonegação, fraudes em licitação, peculato e corrupção ativa e passiva. No entanto, Barroso ressaltou que mais da metade da população carcerária brasileira está presa por razões diferentes destes dois motivos. No caso de corrupção, o porcentual é "insignificante, é traço no Ibope". 

Barroso disse que o Brasil tem neste momento chance de reverter este quadro. Ele não citou a Operação Lava Jato ou outras investigações da Política Federal sobre corrupção em suas declarações no debate, mas ressaltou que a leniência da Justiça com o topo da pirâmide de renda no Brasil acabou criando um "país de ricos delinquentes". "É disto que estamos tentando sair neste momento. Temos uma chance de mudar de patamar e não devemos perdê-la, se não vai ficar como tudo como sempre foi."

A realidade demonstrou, disse o ministro do STF, que se criou no Brasil uma elite que pratica a criminalidade econômica "sem nenhum tipo de consequência".  A Justiça brasileira tem um sistema em que é preciso endurecer no topo e suavizar na base, concluiu Barroso. "Vou completar quatro anos de Supremo e poucas coisas me impressionaram mais do que a perversa desigualdade do sistema punitivo brasileiro." 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.