Número de roubos de veículos aumentou no Rio, diz delegada

O boletim com as ocorrências policiais registradas no Estado do Rio de Janeiro em dezembro, a ser divulgado até sexta-feira, vai confirmar a tendência de aumento de roubos e furtos de veículos, detectada ao longo dos outros meses do ano passado, adiantou nesta terça-feira, 13, a diretora do Instituto de Segurança Pública, Ana Paula Mendes, sem detalhar números. Desde 2002, o total de notificações anual contabilizada pelo governo estadual ultrapassa o patamar dos 50 mil - um crescimento que, segundo ela, é acompanhado por uma mudança na abordagem do criminoso, decorrente da sofisticação de alarmes e outros aparatos instalados nos carros. "Por conta dos mecanismos de segurança existentes no veículo, o assaltante precisa cada vez mais da presença do motorista no carro para conseguir efetuar o roubo", explicou a antropóloga ao Estado. Em dois assaltos ocorridos na semana passada, que resultaram na morte de João Hélio Fernandes, de 6 anos, e do taxista Paulo Roberto de Oliveira, 50 anos, os ataques se deram no sinal de trânsito e após uma fechada ao veículo da vítima. Ana Paula observou que o fenômeno é causado pelo dinamismo da criminalidade, que está sempre buscando uma maneira de se adaptar ou burlar os métodos que a sociedade busca para se proteger. "Há muito tempo, os assaltantes levavam as carteiras. Aí as pessoas passaram a evitar andar com dinheiro e talões de cheques na bolsa. Veio então a modalidade do seqüestro relâmpago, com saques feitos nos caixas eletrônicos, e os casos nos quais o assaltante vai com a vítima até em casa para pegar o dinheiro e o cartão." A antropóloga ressaltou que o governo está em busca de outras estratégias para tentar frear a criminalidade. Uma delas é a implantação de um novo sistema de monitoramento de roubos e furtos de veículos, a ser adotado a partir de março pelo instituto, que é vinculado à Secretaria de Estado de Segurança Pública. Por meio dele, vai ser possível mapear, diariamente, os pontos de ocorrências e os locais onde os veículos carros foram recuperados, permitindo, de acordo com ela, "uma rápida identificação dos trajetos adotados por quadrilhas". "Se usada adequadamente, a informação vai permitir um melhor planejamento." Questionada se a polícia do Rio já não sabe, há muito tempo, quais são as áreas mais vulneráveis para roubos e furtos de carro, ela voltou a falar sobre o dinamismo dos criminosos, que ao se depararem com uma operação ostensiva, buscam novos pontos de ação. Reconhece, porém, que de fato existem localidades onde o problema persiste há anos, entre elas a Área Integrada de Segurança Pública 9, que abrange 26 bairros da zona norte - como Oswaldo Cruz, onde ocorreu o assalto ao Corsa dos pais de João Hélio Fernandes. Em novembro, 63% dos roubos e furtos ocorreram na zona norte. Já a zona sul ficou com 5,5%. A diferença, na avaliação de Ana Paula, pode ser explicada por vários fatores, entre eles a extensão das zonas, assim como a presença de um maior número de favelas, onde o tráfico atua. Mas considera que a disparidade reflete também um problema histórico, e que atinge todo o País, relacionado a privilégios concedidos às classes sociais mais abastadas. "Áreas mais nobres, muitas vezes, tem mais policiamento, ganham mais viaturas. A zona sul vai sempre precisar de muitos policiais, pois é área de grande fluxo, mas isso não pode ser feito em detrimento da zona norte, por exemplo, que está precisando de mais efetivo policial." Enquanto a zona sul tem 57,8 policiais por quilômetro quadrado, a proporção na zona norte é de apenas 14,9 policiais.

Agencia Estado,

13 Fevereiro 2007 | 19h30

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.