Número de vítimas da guerra do tráfico no Rio chega a 29

Mais quatro pessoas foram mortas; na madrugada, 'boato' fez moradores do Morro dos Macacos fugirem de casa

Pedro Dantas e Solange Spigliatti, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2009 | 07h41

Mais três pessoas foram mortas nesta quarta-feira, 21, no Rio, durante confronto na zona norte do Rio, e uma quarta morreu na região central da cidade. Dessa forma, segundo a Polícia Militar, subiu para 29 o números de mortos devido à guerra do tráfico na capital fluminense nesta semana. As vítimas da violência no Rio são três civis, três PMs e 23 supostos traficantes, segundo a polícia.

 

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Os três supostos criminosos morreram nesta madrugada após trocar tiros com policiais militares do 9º Batalhão no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, na zona norte carioca. Com eles foram encontradas três pistolas 9 mm, 51 trouxinhas de maconha, 133 sacolés de cocaína e 97 pedras de crack. De acordo com a PM, o trio chegou a ser encaminhado para o Hospital Salgado Filho, mas não resistiu aos ferimentos. O quarto corpo foi encontrado no Morro do Fallet.

 

Na terça, o corpo da 26ª vítima foi encontrado dentro de um carrinho de supermercado na zona norte. O clima no entorno das comunidades dos morros São João, Quieto e Macacos, nos bairros do Engenho Novo e Vila Isabel, ainda era tenso nesta manhã. À noite uma denúncia que teria partido dos moradores dos três morros, assustou as pessoas e forçou uma varredura da PM na junção entre as favelas São João e Macacos.

 

 

De acordo com relatos de testemunhas, criminosos da quadrilha que domina o Macacos, da facção Amigo dos Amigos (ADA), teriam chegado à parte alta do São João, controlada por bandidos do Comando Vermelho, e ameaçado se vingar da invasao ocorrida no último sábado. Cerca de 300 moradores destas comunidades, com medo da retaliação e de mais um tiroteio entre as quadrilhas, desceram os morros, apenas com a roupa do corpo e alguns pequenos utensílios e passaram boa parte da madrugada nas ruas. Quem não tinha casas de parentes para se refugiar ficaram nas ruas até tarde.

 

No conflito do fim de semana, um helicóptero da Polícia Militar, que participava de operação para tentar dominar a situação, foi abatido a tiros por traficantes, o que causou a morte dos três policiais. O comandante do 3º BPM, coronel Alvaro Moura, porém, afirmou de manhã que tudo foi "um ato orquestrado para possibilitar a saída de criminosos invasores que estavam no São João desde sábado".

 

O setor de Relações Públicas da polícia afirmou que nenhum sinal de movimentação de bandidos tanto de um lado como do outro foi percebido. Oitenta e três homens da PM vasculham o São João em busca de suspeitos. Neste momento, na Vila Cruzeiro, na Penha, em outro ponto da zona norte da capital fluminense, outra operação, do 16º BPM, está resultando em intensa troca de tiros entre policiais e traficantes.

 

Atualizado às 13h12 para acréscimo de informações

 

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