Número de vítimas das chuvas já chega a 84 em Santa Catarina

Chefe da Defesa Civil do Estado acredita que número de mortos e desaparecidos ainda vai subir no Estado

Da Redação, com informações da Agência Brasil,

25 de novembro de 2008 | 16h49

O número de vítimas das chuvas em Santa Catarina já chega a 84. Em todo o Estado são mais de 54 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas, segundo informações da Defesa Civil de Santa Catarina. Nesta terça-feira, 25, ainda são oito municípios isolados - 97.680 moradores. A Defesa Civil acredita que até 36 pessoas estão desaparecidas; elas seriam vítimas de desabamentos e deslizamentos de terra. O número de mortos deve passar de 100, segundo a Defesa Civil. Cerca de 1,5 milhão de pessoas foram atingidas pelas chuvas e enchentes que atingiram o Estado nos últimos dias.   Veja também: Defesa Civil alerta para temporais em SC Chuva deixa 137 mil residências sem luz Defesa Civil abre conta para doações 'Em 1 minuto, eu perdi as duas', diz pai Tragédia em Santa Catarina  Veja galeria de fotos dos estragos em SC   Número de vítimas deve subir  Para governador, será preciso muito recurso  Morador de Blumenau relata a situação    Os municípios de São Bonifácio, Luiz Alves, São João Batista, Rio dos Cedros, Garuva, Pomerode, Itapoá e Benedito Novo estão isolados, segundo informações da Defesa Civil. Em todo o Estado, são 22.952 desabrigados - pessoas que tiveram que sair de suas casas e precisam da ajuda do Estado. Já os desalojados chegam a 31.087 - são pessoas que foram obrigadas a sair de suas casas por conta dos danos das chuvas, mas que podem ir para casas de parentes ou amigos.   Seis municípios decretaram estado de calamidade pública: Gaspar, Rio dos Cedros, Pomerode, Nova Trento, Camboriú e Benedito Novo. Outras sete cidades estão em situação de emergência: Balneário de Piçarras, Canelinha, Indaial, Penha, Paulo Lopes, Presidente Getúlio e Rancho Queimado.   Blumenau é uma das cidades mais atingidas, onde 20 pessoas morreram. Em Ilhota, há 18 vítimas. A cidade de Gaspar contabiliza 15 mortos e Jaraguá do Sul, 12. O município de Rodeio conta quatro vítimas fatais, assim como Luiz Alves. As cidades de Rancho Queimados, Benedito Novo e Itajaí tem duas vítimas cada. As cidades de Brusque, Pomerode, Bom Jardim da Serra, São Pedro de Alcântara e a capital, Florianópolis, tiveram uma vítima cada.   O número de mortos, desaparecidos, desabrigados e desalojados deve subir. A situação, de acordo com o major Márcio Luiz Alves, diretor estadual de Defesa Civil estadual, está "aquém da realidade". Para ele, "não é nenhum pessimismo. Há famílias soterradas sobre as quais não temos nem notícias. Esses desaparecidos [30, oficialmente] são fruto de pessoas que nos informaram. Quantos são os soterrados que ninguém sobrou da família ou as pessoas que estão sem comunicação? É uma situação desesperadora", afirmou, em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.   Alves destacou que o clima no estado "começa a ficar favorável", uma vez que as chuvas, apesar de não terem cessado ainda, seguem mais fracas. O nível do Rio Itajaí-Açu, que chegou a atingir 12 metros acima do normal, baixou para 8 metros acima - faixa, segundo o major, considerada fora da cota de alerta.   "A situação ainda é crítica porque temos diversas áreas isoladas e muitas pessoas soterradas e desaparecidas. Temos em um parque aquático 600 pessoas, entre crianças, jovens e idosos, que estão isolados desde sexta-feira, com dificuldades de alimentação e medicação. Na segunda, chegamos ao local com helicóptero, levamos médicos e alimentação e mandamos um coordenador para que consiga controlar essas pessoas que não quererem, de qualquer forma, sair, porque seria muito perigoso."   De acordo com Alves, os deslizamentos de terra continuam na região e os desabamentos devem seguir por pelo menos mais dez dias. Ele avaliou que as encostas parecem "sorvete", uma vez que se desmancham a todo momento. Algo que Alves, em 17 anos de carreira na Defesa Civil de Santa Catarina, afirma jamais ter visto.   Deslizamentos preocupam   "Nossa maior preocupação não são mais as águas, mas os deslizamentos. Dez dias é o que nós imaginamos que o solo ainda estará instável e possa provocar deslocamentos. Estamos recebendo especialistas em geologia, pessoas renomadas, para que nos dêem um aporte de tecnologia e uma avaliação adequada de segurança."   Ele lembrou que foi instalado um centro de comando aéreo no município de Navegantes, que conta com um total de 14 aeronaves. "Temos médicos, alimentos e água. O problema é como fazer para chegar [nas áreas atingidas]." Alves afirmou que a Defesa Civil local já tentou acesso às comunidades isoladas até mesmo por meio de carros-anfíbios e de tanques de guerra de propriedade do Exército brasileiro, mas não teve sucesso.   "O alerta foi feito no momento certo, as questões meteorológicas têm sido acompanhadas. Não era previsível, porque o problema foi de deslizamento, uma situação que não é comum para Santa Catarina. No universo de mortes, apenas uma pessoa morreu afogada, no município de Bom Jardim da Serra. Os outros morreram soterrados. O desastre principal aqui não são as enchentes, são os deslizamentos, o colapso total das encostas do Vale do Itajaí, algo, para nós, inédito."   Diante da proximidade do recesso de fim de ano e das férias coletivas em janeiro, o major alertou turistas de todo o país que não visitem Santa Catarina pelo menos nos próximos dez dias - sobretudo, o litoral, região mais castigada pelos temporais. Mas, segundo ele, o estado estará pronto para receber visitantes no verão.   "O governo federal já sinalizou com recursos para que isso ocorra. Pedimos aos nossos turistas que, nos próximos dias, não venham a Santa Catarina. E, se precisarmos de mais dez dias, vamos pedir. É uma questão de responsabilidade."   Texto alterado às 19h39 para acréscimo de informações.

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