''Nunca matei nem roubei ninguém''

Entrevista - Everaldo dos Santos: pai de Eloá; acusado de pelo menos dois assassinatos, entre eles o do delegado Ricardo Lessa, ele diz que fugiu para não morrer

Bruno Tavares e Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

22 Outubro 2008 | 00h00

O pai de Eloá, o ex-cabo da PM Everaldo Pereira dos Santos, nega as acusações da Justiça de Alagoas e teme ser assassinado. Ex-segurança do delegado Ricardo Lessa, ele acusa policiais civis de tramarem o assassinato e tentarem incriminá-lo. "Nunca matei e nunca roubei ninguém." Em entrevista ao Estado, concedida por telefone, Santos admitiu que não compareceu ao velório e ao enterro da filha por medo de ser preso. O senhor é acusado de matar o delegado Ricardo Lessa... Houve esse crime realmente. Fui requisitado pela Secretaria (de Segurança) para fazer parte da segurança do doutor Ricardo Lessa. Ele nunca acreditou na Polícia Civil. As confidências que fazia é que tinha medo de ser assassinado pela Polícia Civil. A Civil tinha inveja, os delegados não conseguiam desvendar os crimes e o doutor Ricardo conseguia com a gente, com a PM. Tiraram a gente da segurança dele. A culpa é da secretaria, daqueles mafiosos. Quem são? Junto com o coronel Cavalcante, mais alguns fazendeiros. É o Chiquinho Fidelis. Aí contrataram uns policiais de Pernambuco - o Tonho Negão, o Preguinho, o Dodge, que é primo do ex-cabo Henrique, de Alagoas, mais o irmão dele. E arquitetaram com o doutor Rubens Quintela, que foi secretário de Segurança. Tem um delegado chamado Gilberto. Ele estava numa churrascaria e viu quando os pistoleiros estavam arquitetando a morte do doutor Ricardo. Quando o senhor fugiu? Em 1993, depois da prisão preventiva. A gente sabia que ia morrer. O pessoal falou que a gente corresse, porque iam nos matar. O senhor é acusado de matar um preso numa UTI? É mentira. Eles fizeram de tudo para botar crime pra cima da gente. Uma testemunha disse: "Foi você que matou o doutor Ricardo." Mas nenhuma testemunha apontou a gente. O sr. é procurado por roubo de carga também... Nunca. Eu não sou ladrão, não, moço. Sou um cidadão. Fez parte da Gangue Fardada? Isso é suposição deles. Como trabalhei pra Gangue Fardada, se eu trabalhava para o doutor Ricardo? Conheceu o coronel Cavalcante, o líder do grupo? Eu nunca trabalhei para esse Cavalcante. Conhecia porque ele era um coronel. O sr. vai se entregar? Eu não sei o que faço. Sei que eles querem apagar o arquivo. O doutor Rubem Quintela ainda está vivo e outros estão vivos e têm interesse na nossa morte porque sabem que a gente sabe de muitos crimes. Não foi ao enterro de sua filha por medo de ser preso? Por esse motivo, com certeza. Aqui a Justiça age de um jeito; lá, de outro. Lá a maioria é comprada. Quem manda é o colarinho branco.

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