NYT acusa Fiocruz de armar ?circo da mídia?

O jornal The New York Times divulgou nota, nesta segunda-feira, no Rio, responsabilizando a Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Centro Nacional de Epidemiologia, em Brasília, pelo que chama de "circo de mídia", em torno da suspeita de antraz em seu escritório do Rio.O texto é assinado pelo correspondente-chefe na cidade, Larry Rohter - a quem a carta suspeita foi endereçada - e foi enviado aos principais jornais do País. Nesta segunda-feira, a Fiocruz divulgou o resultado final dos exames. Os pesquisadores encontraram o Bacillus Cereus, uma bactéria comum.A carta suspeita, sem remetente, foi recebida no dia 16. Na versão do correspondente, foi o coordenador-geral de Vigilância Epidemiológica do Centro Nacional de Epidemiologia, Eduardo Hagge, quem informou os jornalistas norte-americanos, no dia 18, sobre a presença de esporos semelhantes ao do antraz na correspondência.O diretor do centro, Jarbas Barbosa, negou qualquer menção a "exame positivo para traço de antraz", como o jornal norte-americano divulgou em nota na sexta-feira."Encontramos um bacilo esporulado e decidimos pela mudança de conduta, porque eram pessoas potencialmente expostas. Eles (direção do jornal) divulgaram por sua conta e risco. Não fizemos nota oficial porque não havia resultado de exame." Para Barbosa, não houve má-fé, mas uma "interpretação impossível naquela conversa".No documento, Rohter narra a "seqüência de eventos que levou a um alarme falso". Afirma que o presidente da Fiocruz, Paulo Buss, foi informado no dia seguinte sobre a suspeita e recomendou que o envelope fosse levado ao instituto dentro de um saco plástico.Buss teria ido viajar e indicado a assessora Cristina Tavares para cuidar do assunto. "Ela imediatamente disse que ia chamar a Polícia Federal e, depois, a Defesa Civil", relata o jornalista.Já na Fiocruz o envelope foi aberto e não foi encontrado pó. Dentro, havia outro envelope, com um convite impresso sobre assunto conhecido pelo "New York Times". O fato, segundo o repórter, não foi comunicado ao jornal, o que significaria a quebra de compromisso prévio."Nossa intenção era saber sobre o conteúdo do envelope assim que fosse aberto. Se tivéssemos sido informados do que continha o envelope, como foi combinado inicialmente com o doutor Buss, o caso estaria encerrado", escreveu. No mesmo dia 18, disse, Hagge teria telefonado para o escritório, informando que a Fiocruz, em exames preliminares, encontrara bactérias semelhantes à do antraz.Rohter afirma que durante todo o episódio seguiu as recomendações do governo brasileiro. "Não foi iniciativa nossa ir ao hospital para fazer exames de antraz nem chamar peritos vestidos de astronauta para vasculhar nosso escritório."Procurado pela reportagem, Buss não foi localizado em Manaus, onde dava uma palestra . O vice-presidente, Ary Miranda de Carvalho, não quis comentar o assunto.Na tarde desta segunda-feira, a Fiocruz divulgou o resultado final dos exames. Em vez de antraz, os pesquisadores encontraram apenas o Bacillus Cereus, uma bactéria comum, presente no solo, na poeira e no ar. De acordo com a fundação, "o material analisado não oferece qualquer risco de saúde para a população", tendo sofrido, provavelmente, uma contaminação casual.O Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, já recebeu para análise cem amostras de material suspeito de contaminação por antraz entre o dia 15 e esta segunda. Segundo a assessoria de imprensa do instituto, o resultado foi negativo em 70 amostras avaliadas. As demais ainda estão em estudo.Leia o especial

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