''O bandido tirou o capuz, mostrou o rosto e atirou''

ENTREVISTA - Luana*: mulher de uma das vítimas da chacina

Guilherme Voitch, Gazeta do Povo, Guaíra, O Estadao de S.Paulo

24 de setembro de 2008 | 00h00

Com a filha de 2 anos em uma mão e um menino de 9 anos na outra, Luana*, de 16 anos, andou pelos brejos próximos ao Lago de Itaipu, em Guaíra, durante uma hora e meia até encontrar um carro da Polícia Militar na tarde de anteontem.Antes, ela havia ficado quase cinco horas sob a mira de armas. O marido foi morto na chacina. Ele é apontado pela polícia como um pequeno traficante que transportava a droga de Guaíra até o Rio.Luana diz desconhecer a profissão do marido e disse que nunca o viu com drogas ou armas. Protegida pela polícia da cidade e esperando o contato de familiares, ela deu detalhes da maior chacina da história do Paraná.Por que você foi até a chácara?Meu marido era muito amigo do Polaco (Jussimar Marques Soares). Tinha uma roupa dele lá. Fui buscar pra lavar. Fomos entrando, quando vimos um homem encapuzado. Achamos que era brincadeira de alguém. Só nos demos conta quando nos renderam e nos levaram para a sala.O que os bandidos diziam para vocês?Deram coronhadas na minha cabeça e na do meu marido. Colocaram a gente de joelhos na sala. Primeiro, diziam que era para a gente não ter medo, que não éramos nós que devíamos e que eles queriam outras pessoas. Só que eles foram ficando mais violentos. Um deles perguntou para o meu marido se ele era homem. Meu marido disse que era e o bandido tirou o capuz, mostrou o rosto e atirou no filho do Polaco (Mizael Soares). Ele ficou agonizando ao nosso lado até morrer. Eles queriam o Polaco, o Nel (Manoel Pascoal da Silva) e o Zaqueu (Zaqueu Erculano).Quando o Polaco chegou?Um pouco depois. A gente viu. Ele chegou e tentou atropelar um deles com o carro. Não conseguiu. Saiu do carro e tentou fugir. Atiraram nas duas pernas dele para que não fugisse. Fizeram ele ligar para o Nel e o Zaqueu.O que obrigaram o Polaco a falar?O Polaco disse: ?Vem cá para a gente acertar o negócio. Estou com o dinheiro aqui.? Aí quem ia chegando eles iam levando para o paiol e matando. Nós que estávamos na casa íamos ser os últimos. Isso só não aconteceu porque meu marido pegou minha filha no colo. Um deles não gostou e atirou. A bala pegou de raspão na menina e nele. Ele e o Claudiomar pularam para cima dos dois tentando desarmá-los. Nisso, peguei na mão das crianças e fugi. * Nome fictício

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