O Brasil demonstra sua fé na Sexta-Feira Santa

A Sexta-Feira da Paixão foi comemorada, em todo o Brasil, com cerimônias religiosas e espetáculos teatrais, numa demonstração de fé de multidões de católicos que lotaram igrejas, ruas e teatros a céu aberto, recordando aos últimos momentos de Jesus Cristo na terra. Enquanto a quinta-feira lembrou a ceia compartilhada com seus apóstolos e a humildade do lava-pés, a procissões e outros eventos de sexta fizeram refletir sobre o martírio da crucificaxão e a esperança na ressurreição. Em vários Estados, a devoção teve início ainda na madrugada. De pés descalços, fiéis seguiram em procissão para pagar promessas e agradecer graças recebidas. Em algumas delas, mulheres levavam pedra e tijolo na cabeça, numa espécie de catarse religiosa. Em Belém, muita moção no Sermão das Sete Palavras, uma cerimônia que começou ao meio-dia e relembrou a agonia de Cristo, durante as três horas que ele teria permanecido na cruz, antes de morrer. Em Ouro Preto, as tradicionais matracas chamaram os fiéis para a celebração nas 121 igrejas da cidade. Todos os fiéis, em fila não mediam esforços para achegar-se ao altar e tocar a cruz, representando o martírio de Jesus, que era descoberta lentamente. Nas igrejas, onde não se rezaram missas, os santos estavam cobertos por panos roxos e véus da mesma cor para concentrar o pensamento dos fiéis apenas no calvário de Jesus e em seu martírio pela salvação da humanidade. E para beijar a imagem do crucificado vale todo e qualquer sacrifício, o que proporcionou um momento de devoção, a renovação da fé. No Santuário de Nossa Senhora da Conceição, construído no século XVIII, pelo pai de Aleijadinho, o canto em latim e o sermão repetem as últimas palavras de Jesus antes de sua morte, hoje repetidas pelo padre durante o sermão. Em Maceió, religiosos e funcionários de um hospital encenaram a Via Crucis para os pacientes. Na peregrinação pelas enfermarias, muita oração e palavras de força e de fé. Em Pernambuco, espetáculos da Paixão Encenações da Paixão de Cristo se multiplicam, a cada ano, em todo o Brasil. Inúmeras cidades de Pernambuco realizaram montagens, com artistas amadores, habitantes dessas cidades, do sertão ao litoral, nas pequenas e nas grandes cidades. Os espetáculos surgem espontaneamente e são criados por gente anônima para celebrar a fé, a exemplo da mais famosa de todas em fazenda nova, na cidade de Nova Jerusalém. Nas mais diferentes cidades, adultos, jovens e crianças vestiram o figurino inspirado em trajes palestino de 200 mil anos atrás, para contar a história memorável. Em Vitória de Santo Antão, Zona da Mata de Pernambuco, a propaganda nas ruas chamou a população para o espetáculo noturno. A concorrência é grande nessa cidade. Os moradores produzem cinco espetáculos na Semana Santa, que envolvem famílias inteiras. No Cabo de Santo Agostinho, os moradores não têm oficina. Os cenários foram construídos nas ruas. E já são 40 anos de dedicação para contar a história de Cristo, através de 72 atores amadores da comunidade que se apresentam no parque municipal. Em Paulista, até os pacientes internados num hospital deixaram as enfermarias para acompanhar o sofrimento de Jesus. Visitantes e funcionários se reuniram no campo de futebol que serve de palco seu espetáculo. No centro do Recife, na Praça do Marco Zero, foi realizada uma produção com 300 figurantes e muitos efeitos especiais. Comemorações em São Paulo e no Rio de Janeiro Na Catedral da Sé, em São Paulo, depois da missa, os fiéis participaram da tradicional procissão que acontece há mais de 300 anos. Com velas acesas eles seguraram rezando pelas principais ruas do centro das cidade. Uma multidão também acompanhou a encenação do calvário de Jesus Cristo num palco montado no meio do Autódromo de Interlagos. Atores que encenavam o tradicional Auto da Paixão, nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, e o público que assistia foram surpreendidos por uma participação inesperada: o cardeal arcebispo da cidade, Dom Euzébio Scheidt, interrompeu para fazer um discurso para condenar qualquer projeto de legalização do aborto, país: "Eu pediria a todas as mães que, por amor a Jesus, jamais permitam que uma mãe queira matar seu filho. Um vexame, como é o da matança de inocentes no útero, pelo infeliz projeto. Jamais seja aprovado um projeto desses". Eram 30 mil pessoas acompanhando a encenação, que contou com 110 atores, cantores e bailarinos. Um público comovido pelo sofrimento e a morte de Cristo na cruz. Mas o momento mais emocionante de todos os anos, a Ressurreição, não aconteceu neste ano, por causa da subida ao palco do cardeal arcebispo para dizer que, naquele momento, Maria perdia o filho e a humanidade ganhava um divindade para sempre, o Filho de Deus. E, em seguida, realizar seu discurso anti-aborto.

Agencia Estado,

07 Abril 2007 | 02h27

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