O choro, a realidade e a universalidade sem restrições

O choro, a realidade e a universalidade sem restrições

A universalização ampla, geral e irrestrita da saúde precisa de mais e mais dinheiro. Isso é discurso político tautológico, provado na divisão do orçamento pela quantidade de brasileiros.

Análise: Rui Nogueira, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2010 | 00h00

O presidente Lula apimenta o debate chorando a perda da CPMF, o imposto do cheque que arrecadava em torno de R$ 40 bilhões. Mas nem os tucanos, que inventaram a contribuição, nem os petistas, que estão completando oito anos no poder, conseguiram provar que os problemas, as carências e a gestão da saúde justificam a existência da CPMF.

O investimento per capita brasileiro em saúde ronda os US$ 300, muito abaixo dos US$ 800 da média mundial, O setor público banca menos da metade do que a área da saúde consome, um perfil típico de país sem sistema universal de atendimento - como os EUA, que têm 60% de investimento privado na saúde, contra 40% do setor público. Nos sistemas públicos universais, a correlação é, no mínimo, inversa.

Quando tinha a CPMF, o governo Lula não jogou no orçamento da saúde dinheiro bastante para mudar esse quadro. Chegou, até, a dependurar na conta do SUS despesas que contribuíram para o subfinanciamento do setor, como a Farmácia Popular.

Vai ser difícil, agora, defender a ressurreição da CPMF. A solução é fechar os gargalos da má gestão e discutir se o sistema deve mesmo ser totalmente universal - porque no Canadá, por exemplo, não é. Mas todo mundo canta o sistema canadense em verso e prosa e acha que é.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.