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O cinza do 'cabelo da vovó' agora é tendência

Depois de conquistar celebridades pop nos Estados Unidos, estilo granny hair já atrai as jovens nos salões de beleza do Brasil

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

26 de abril de 2015 | 10h11

SÃO PAULO - Os fios de cabelo cinza, eterno suplício de mulheres mais velhas, estão sendo adotados por quem ainda nem tem idade para temer o grisalho. Tons de prata já apareceram nas cabeças de cantoras como Rihanna, de 27 anos; Lady Gaga, de 29; Kelly Osbourne, de 30; e Katy Perry, também de 30. Batizada de granny hair (cabelo da vovó), a tendência chegou às "mortais" e tem se espalhado, mesmo que timidamente, pelo Brasil.

Danny Soares de Souza, administradora e cabeleireira de 28 anos, comemorou quando atrizes e cantoras começaram a exibir o cinza. "Eu já busco o acinzentado no meu cabelo há mais de sete anos. Minhas amigas ficavam me 'zoando', dizendo que eu estava grisalha", lembra Danny, que tem um salão de beleza em Guarulhos. "Não aguentei, quando a moda surgiu eu tive de postar uma foto nas redes sociais. O pessoal que falava que eu era doida agora me procura para fazer igual."

Coragem e rebeldia. Há quase dois anos com os cabelos variando entre cinza perolado e prata, Danny diz que foi difícil assumir a cor. "Eu não tinha coragem de usar antigamente. Depois, gostei. Mas meu cabelo era visto como o de uma menina rebelde."

O cabeleireiro Celso Kamura, querido da presidente Dilma Rousseff e da apresentadora da TV Globo Angélica, entre outras celebridades, afirma que a procura por essa tintura tem crescido. "São os descolados que querem um cabelo diferente e não têm medo de ousar - precisa ter muita atitude."

Wanderley Nunes, preferido de Claudia Raia e do ex-presidente Lula, concorda que a opção é sinônimo de irreverência, mas duvida da possibilidade de a moda "pegar". "Qualquer cabelo lançado lá fora, com atitude, nunca vai pegar 100% aqui, por causa do conservadorismo dos brasileiros. Vai ser usado por mais jovens. Apostar que vai se transformar em uma moda acredito muito pouco", diz.

Segundo Nunes, o País é preconceituoso com as ousadias no trabalho, o que refreia o ímpeto das mulheres em variar a tintura. "Você não vê cabeludo trabalhando em banco ou advogada com piercing, comportamentos mais aceitos no exterior", explica o cabeleireiro.

O ambiente receptivo a mudanças ajudou uma funcionária do salão de beleza Studio W, de Wanderley Nunes, a optar pelo acinzentado nos cabelos. Talita Penkal, de 23 anos, queria "tentar algo novo" depois de três anos de madeixas platinadas. "Quando era mais nova, pintava de azul, roxo, vermelho, preto. O platinado foi o meu favorito, agora vou ver se o cinza é tão legal quanto." Como o cabelo de Talita já era descolorido, bastava aplicar a tintura. Uma hora depois, ela se analisava no espelho, feliz com o resultado.

Lúdico. O consultor de moda Arlindo Grund defende o uso do cinza nas adolescentes. "É complicado brincar com a cor do cabelo porque ela é a moldura para o rosto. O cinza dá um ar mais velho. Se você tem uma pele viçosa e é jovem, pode brincar à vontade", argumenta. "Se a moda pegar, espero que fique no segmento das adolescentes, que têm licença poética e lúdica para brincar um pouquinho", diz o apresentador do programa Esquadrão da Moda.

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