O comércio subterrâneo de São Paulo

Longe dos olhos de muitos paulistanos, o Metrô abriga um comércio com diversas opções de compras. E não são somente os passageiros do Metrô que podem usufruir dos serviços. Como as lojas estão antes da catraca, para conhecer as lojas basta descer as escadas (veja quadro ao lado). Na estação São Bento, por exemplo, foi construído um boulevard com revistaria, café, lanchonete, doceria, banco, máquina de foto e uma loja de produtos naturais e esotéricos, que inclusive, oferece massagem e leitura de tarô aos clientes. "Por enquanto, a maioria dos nossos clientes é formada por usuários do Metrô, mas a intenção é atrair os paulistanos em geral", comenta a gerente da loja Naturally´s, Kátia Tavares da Rocha. Além de lanchonetes, cafés e docerias, a estação Brás possui queijarias, sorveterias, loja de bijuterias e presentes, máquina de livros e até uma casa lotérica. A máquina de livros, que também está na estação São Joaquim, funciona como uma daquelas engenhocas que vende refrigerantes. Os clientes colocam moedas ou notas (cada livro custa R$ 3) e escolhem um dos 24 títulos disponíveis. Quem entrar na estação Belém vai encontrar bombonieres, cafés, máquina de cartão telefônico, barraquinha de pastel e batata frita, bijuterias e a ala chamada de Estação Economia - que conta com barracas que vendem frios, mel e frutas. Estas barracas também estão nas estações Conceição e Vila Mariana. Na estação Trianon-Masp, além das lojas de roupas, presentes e lanchonetes, uma galeria de artes pode ser observada pelas pessoas que passam. Em vitrines, obras de diversos artistas consagrados são trocadas a cada mês. As estações Tietê, Jabaquara e Barra Funda, interligadas a terminais rodoviários, possuem serviços mais completos. Além de, docerias, sorveterias e barracas de frutas, também existem por lá farmácias, bancos, tabacarias, livrarias e lojas de revelação de fotos. A mais importante estação do Metrô, a Sé, é uma das que oferece o maior mix de lojas. Lanchonetes, docerias, cafés e lojas de roupas, sapatos e bijuterias e de revelação de fotos estão entre as opções. E estes são apenas alguns dos exemplos de lojinhas que os usuários podem conferir na estação central. Nas estações Santa Cruz e Tatuapé, além das lojas, existem shoppings, com todos os serviços de um centro de compras convencionais da cidade. A estação Corinthians-Itaquera também terá shopping center, daqui a três anos, e vai contar com 151 lojas, 11 cinemas, área de lazer, um hipermercado e estacionamento para 2,8 mil veículos. Como o comércio subterrâneo existe somente em 19 estações da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), a empresa quer inovar e expandir esse mix de lojas e serviços para as outras 33 estações da capital. De acordo com a chefe do departamento de comercialização de novos negócios do Metrô, Rossana Dal Colletto, o comércio nas estações passará por reformulação. "Após várias pesquisas feitas com os usuários, vamos incrementar as estações com os serviços que estão faltando, como farmácias, perfumarias, agências dos Correios, lotéricas e mais revistarias." Bom para comprar e para passar o tempoAlém do serviço prestado, as lojas do Metrô servem como passatempo para a estudante Débora Midaglia, 20 anos, que passa todos os dias pelas estações São Joaquim, Sé e Barra Funda. Nas lojinhas e lanchonetes , ela faz uma pausa para esperar pelos colegas. "As lojinhas são boas até para comprar um presente de última hora", diz ela. Débora acha que, no novo projeto do metrô, os cinemas deveriam ser incluídos. "Uma maior variedade de lanchonetes também beneficiaria os paulistanos." A estudante Ananda Pisanelli, 18 anos, diz que já comprou um livro na máquina de livros da estação São Joaquim. "Achei legal porque os livros são bem mais baratos do que na livraria." O preço também foi o principal motivo para que o estudante Fábio Aragaki, 19 anos, optasse por comprar na máquina. "Precisava ler um livro como parte da preparação para o vestibular e ele estava na máquina. Não pensei duas vezes." A advogada Carmen Garcia Suller, que mora no bairro da Saúde, já fez muitas compras no comércio subterrâneo. "Já comprei blusinhas, bijuterias e bolachinhas para comer durante a viagem." Na opinião de Carmen, o comércio no Metrô proporciona ao público uma forma mais segura de fazer compras. "Pelo menos não corro o risco de ser assaltada tão facilmente, como acontece nas ruas."

Agencia Estado,

03 de agosto de 2003 | 08h25

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