O desafio da compensação necessária

Roberto Waack, de 57 anos, presidente da Renova

Roberta Jansen, Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2017 | 03h00

MARIANA - Roberto Waack, de 57 anos, é o presidente da Renova, a fundação que tem como principais acionistas a Vale e a BHP e foi criada para reverter os danos causados pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana, Minas Gerais.

Da indenização e reassentamento dos moradores dos vilarejos no entorno da barragem à recuperação da água de todo o  Rio Doce, passando pelo reflorestamento de parte de Minas e Espírito Santo, a missão não é nada simples.

“A primeira frente, do auxílio emergencial, do cartão alimentação, começou logo após o rompimento da barragem e continua; já são oito mil pessoas recebendo”, conta Waack. Ele admite que há pessoas que ainda não receberam o cartão e que a situação está sendo revista caso a caso.

“Numa segunda frente, temos o ressarcimento dos danos pela falta de água a cerca de 450 mil pessoas. Desse total, 180 mil já receberam e outras em fase final”, relata. A terceira frente de pagamento de indenizações é a mais complexa, porque envolve o cálculo dos danos morais e materiais. “É difícil estimar todas as atividades econômicas de cada um, a pesca, a pousada, o agronegócio, fora os danos morais. Mas este levantamento já foi concluído e os processos de pagamentos já começaram.”

Waack admite que o processo foi demorado. “Demorou sim. Mas não é um processo trivial”, afirma. “Por exemplo, 80% dos pescadores (que viviam da pesca no Rio Doce e afluentes) são informais. Eles não têm como comprovar suas perdas. Seria justo deixá-los de fora? Claro que não ou estaríamos deixando de fora os mais vulneráveis. O mesmo se aplica aos agricultores, areeiros. Tivemos que buscar outras formas de comprovar isso. Esse tipo de desafio que enfrentamos é difícil de ser entendido pela sociedade em geral e principalmente pelos atingidos.”

Waack sabe que há uma hostilidade de parte da população atingida em relação à Renova, mas não acredita que seja algo generalizado. “Não dá para imaginar que as pessoas estejam satisfeitas, confortáveis. Não estão. Elas querem receber o dinheiro e têm razão. A gente reconhece a indignação e acha natural e justificável, mas estamos fazendo tudo para superar o problema o mais rapidamente possível.”

O presidente da Renova garantiu que, embora o reassentamento dos atingidos em novos terrenos ainda não tenha começado, o cronograma está mantido e os novos vilarejos de Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e Gesteira serão entregues em 2019.

Sobre a recuperação ambiental, Waack explica que existem várias frentes em andamento e algumas já concluídas. “A estabilização dos rejeitos está assegurada; não há mais rejeitos saindo da região”, afirma.

Para a limpeza dos rejeitos já lançados nos primeiros cem quilômetros do Rio Doce foi elaborado um plano de manejo para 17 diferentes regiões, cada uma delas com uma atividade específica. “Numa outra frente temos a recuperação das nascentes, 500 por ano, e a restauração florestal, que começa no ano que vem e vai plantar 40 mil hectares em dez anos”, diz.

Outro ponto crítico é o monitoramento da qualidade de água no rio.  Embora muitos moradores continuem bebendo água mineral, Waack garante que as condições de potabilidade da água já foram recuperadas e voltaram à situação prévia ao desastre.

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