O desamparo dos que contavam com o HC

Pacientes têm de procurar tratamento em outros locais

O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2007 | 00h00

A professora primária Márcia Barros, de 38 anos, ficou apavorada ao saber que o centro cirúrgico do HC ficará interditado pelo menos até o carnaval. A 12 dias de dar à luz ao segundo filho, soube que os médicos terão de transferir seu parto para outra unidade da rede pública, possivelmente o Hospital Universitário (HU). "Se fosse uma gravidez comum, eu não me incomodaria, mas meu bebê corre risco. Preferia ser operada nas Clínicas, onde vinha me tratando e os médicos já me conhecem", diz ela.Há sete meses, durante uma consulta de rotina com o ginecologista, Márcia descobriu que estava com câncer na mama direita. "Os especialistas do convênio não sabiam o que fazer. Um deles chegou a dizer que eu deveria interromper a gravidez para tratar do tumor", conta a professora. Encaminhada a um mastologista do HC, Márcia passou por uma cirurgia para a retirada da mama doente e deu início a uma série de quatro sessões de quimioterapia. "Os médicos são ótimos e não se assustaram nem um pouco diante de um caso mais complexo."A aposentada Maria Francisca Rosa, de 69 anos, tentou na quinta-feira e anteontem remarcar a cirurgia de pâncreas que deveria ter sido feita na sexta-feira no HC. A filha dela, Elisabete Guimarães, de 45 anos, ligou para o hospital para tentar agendar uma consulta. "Eles falaram que tudo, inclusive a cirurgia, só poderia ser agendado a partir do dia 2." Inconformada, a filha buscava anteontem tratamento no Hospital São Paulo e na Santa Casa de Misericórdia.Entre os casos mais graves estava o de Maria José Vieira, de 27 anos, que veio do Guarujá na quarta-feira com o filho Mateus, de 3 meses, que sofre de catarata e glaucoma. "Nós viemos na certeza de que criança é sempre caso grave. Ainda por cima nos olhos", diz Maria. Mateus acabou não sendo atendido, embora o HC tenha informado que casos graves de cirurgia seriam encaminhados para o Instituto do Coração (Incor) e para outros departamentos do complexo.E há ainda aqueles que temem não conseguir nem reagendamento para uma data próxima. Cecília Paiva, de 35 anos, veio de Capão Bonito, 222 quilômetros a sudoeste de São Paulo, e voltou para casa sem nem saber quando poderá voltar à capital. "Ninguém quer dar informações. Tinha consulta marcada para cirurgia de mama. Será que isso não é grave para eles?", queixou-se Cecília.BRUNO TAVARES, MARCELA SPINOSA e CAMILLA HADDAD

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