O dia em que Congonhas parou

Movimento até 17 h foi três vezes inferior ao de um domingo e maior parte das operações foi de jatos e táxi-aéreo

Camilla Rigi, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2025 | 00h00

Aeroporto mais movimentado da América do Sul, Congonhas ficou pelo menos duas horas e meia sem realizar nenhum pouso ou decolagem de aviação comercial ontem. O motivo, mais uma vez, foram as condições meteorológicas. A baixa visibilidade causada pela neblina na região obrigou a torre de controle a fechar a pista auxiliar para pousos três vezes. Às 6 horas, quando o aeroporto abriu, já foi constatada a impossibilidade da realização de pousos. A primeira aeronave comercial só conseguiu descer em Congonhas com o auxílio de instrumentos, às 8h56 - era um avião da Gol vindo do Recife. Antes da crise aérea, a média diária de pousos e decolagens considerada pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e pelo Serviço Regional de Proteção ao Vôo (SRPV-SP) era de 630 operações. Antes da reforma das pistas, em 11 de maio, alcançou 756 operações. Ontem, no entanto, das 6 às 17 horas, foram realizados 10% desses movimentos, 76 - a maior parte da aviação geral (composta por jatos executivos e taxi aéreo) -, cerca de um terço da média dos domingos pré-reforma. Até as 17h25, 71 vôos foram transferidos para Cumbica e 17 para Viracopos. Pela manhã, o vazio no pátio de aeronaves tinha reflexos no saguão. Como a TAM já havia cancelado 68 vôos que partiriam de Congonhas e transferiu outros 22 para o Aeroporto de Guarulhos, anteontem, eram poucos os passageiros nos check-in ou nas lojas para remarcação de passagens. "Meus pais estão tentando embarcar para Cuiabá desde ontem (anteontem), agora remarcaram para a madrugada de amanhã (hoje)", contou o estudante Luiz Felipe Liso, que também pretendia aproveitar a semana de férias na casa dos pais. "Mas eu já volto a trabalhar no domingo. Se não for amanhã (hoje), não vou tentar mais." Entre 6 horas e 8h56 foram realizadas apenas decolagens. Quando tudo parecia que iria voltar ao normal, a torre fechou novamente, às 11h05, a pista para pousos - que só reabriu novamente às 14 horas. Como durante três horas não houve pousos, por volta de 13h30 a Infraero informou que não havia mais aeronaves nos pátios, o que inviabilizou temporariamente as decolagens marcadas. Imediatamente, a TAM cancelou todas as operações no aeroporto até as 18 horas. Segundo a Infraero, às 13 horas, das 125 partidas programadas, 61 (48,8%) foram canceladas e 14 (11,2) tiveram atrasos de mais de uma hora. Neste momento, o saguão até então vazio começou a encher de pessoas que não conseguiam decolar. Um grupo de mexicanos fez um protesto na frente do check-in da TAM. Eles pediam solução para o problema deles. Segundo Alejandro Luevano, o grupo deveria ter viajado para Florianópolis anteontem, mas não conseguiu e não tinha previsão até o início da tarde de ontem. Após o protesto, a companhia aérea providenciou assentos em um dos vôos que partiria no à tarde, mas de Guarulhos. Por volta de 15 horas, com a pista aberta, teve início uma leve chuva na região de Congonhas. Dois aviões, um da Gol e um jato executivo, arremeteram minutos depois. Até 20 horas, a Gol não informou porque o comandante arremeteu nem onde ele pousou. Pouco mais de 20 minutos depois da última arremetida, às 15h22, a torre fechou de novo o aeroporto para pousos. Pelo alto-falante, as empresas repassavam as informações aos passageiros na fila do check-in e aconselhava a remarcação dos vôos. A pista só foi reaberta às 17 horas, mas o primeiro pouso ocorreu apenas 50 minutos depois. Era um avião da TAM que foi de Guarulhos para Congonhas. Neste intervalo, mais uma vez, o pátio ficou vazio por uma 1h20. Às 19 horas , segundo a Infraero, das 236 decolagens programadas, metade havia sido cancelada. 2h56 foi o tempo, desde a abertura, em que o aeroporto paulistano registrou apenas decolagens Raio X de ontem* 6 h - Início das operações, com pousos suspensos por falta de visibilidade 8h50 - Liberação para pousos 8h56 - Primeiro pouso do dia: avião da Gol, vindo do Recife 11h05 - Suspensão para pousos 13h30 - Sem aeronaves chegando, o pátio fica vazio. Com isso, as decolagens também deixam de ocorrer 14 h - Liberação para pousos 14h41 - Primeiro pouso após a liberação: avião da Gol, vindo de Brasília. Não houve nenhuma operação entre 13h30 e 14h41 15h22 - Nova suspensão para pousos 16h30 - Pátio de aeronaves volta a ficar vazio 17 h - Liberação para pousos 17h50 - Primeiro pouso após a liberação, vindo de Guarulhos. Não houve operações entre 16h30 e 17h50

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