O discurso da ruptura e a onda continuísta

A liderança do tucano Geraldo Alckmin na corrida pelo governo de São Paulo é tão folgada que ele pode perder 90 mil eleitores por dia até a eleição e, ainda assim, vencer no primeiro turno.

Análise: Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2010 | 00h00

Para evitar que isso aconteça, o petista Aloizio Mercadante concentra suas esperanças em duas apostas, conforme demonstrou na sabatina promovida ontem pelo Estado: a de que será beneficiado pela popularidade do presidente Lula e a de que há um esgotamento do projeto tucano em São Paulo, após 16 anos de governos do PSDB.

Em relação ao primeiro ponto, o problema de Mercadante é que ele não é Dilma Rousseff. Enquanto ela se apresenta como garantidora da continuidade de um governo com altas taxas de aprovação, ele simboliza a ruptura de uma gestão que também é bem avaliada.

Marta Suplicy, em 2008, já tentou voltar à Prefeitura de São Paulo embalada na popularidade do presidente, sem sucesso. Os eleitores fizeram uma clara distinção entre o âmbito federal e o municipal na eleição. Majoritariamente satisfeitos com a vida sob o governo Lula, os paulistanos optaram por não mudar o rumo da administração da cidade, e reelegeram Gilberto Kassab (DEM).

A segunda suposição do candidato petista não encontra eco na realidade, pelo que indicam as pesquisas até o momento. Já em 2006, quando concorreu ao mesmo cargo, Mercadante apontava uma suposta "fadiga de material" nos tucanos, que então completavam 12 anos no comando do Estado. Com ou sem fadiga, José Serra venceu no primeiro turno, com 58% dos votos, e saiu do governo, em março deste ano, com 55% de aprovação.

É JORNALISTA DO "ESTADO"

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.