‘O Estado vai pagar os danos ao Bruno’

'Meus clientes não são réus, eles sequer foram denunciados pelo Ministério Público', diz advogado

Jozane Faleiro, ESPECIAL PARA O ESTADO ,

16 de julho de 2010 | 06h54

BELO HORIZONTE - Frederico Franco, um dos sete advogados responsáveis pela defesa do goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, e de mais seis suspeitos acusados de envolvimento no desaparecimento da ex-modelo Eliza Samudio, disse ao Estado que o governo de Minas será responsabilizado por danos morais, físicos e materiais sofridos pelo atleta. Ele entrou com pedido de habeas corpus em favor do goleiro. Outro requerimento foi impetrado pelos defensores Ércio Quaresma e Claudineia Calabunde - negado, na noite de ontem, pelo desembargador Doorgal Andrada, da 4.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Há a informação de um outro pedido de habeas corpus, não confirmado. ,  

 

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Por que só ontem o senhor entrou com habeas corpus para o Bruno Fernandes e para os outros suspeitos que sua equipe defende (apenas o ex-policial Bola e o jovem J., que admitiu o sequestro, não solicitaram ainda o relaxamento da prisão)?

 

Você não consegue ler 1.800 folhas em 48 horas, ainda mais quando você está há dez dias sem dormir. Eu tive acesso a esse procedimento policial apenas na segunda-feira.

 

Há uma estratégia da defesa?

 

Informo e repito que meus clientes não são réus, eles sequer foram denunciados pelo Ministério Público. Os requisitos (que dão base às prisões) simplesmente não existem. Todos são réus primários, todos têm residência fixa, nenhum se recusou a prestar esclarecimento na delegacia.

 

Pelo que a defesa tem de dados e viu nos documentos disponibilizados pela polícia, qual será a linha de defesa?

 

Não existe tese de defesa porque não há uma denúncia do Ministério Público. Existe um processo de investigação policial. Não tive acesso a laudos e a todos os documentos. Só vislumbro. Não vejo nada até agora no processo que possa chegar à conclusão que o delegado responsável pelo caso está divulgando. O que vejo são depoimentos, até mesmo de um menor, que sequer são feitos na presença de um pai, um responsável ou um advogado.

 

Qual a orientação que a defesa mantém?

 

Todos os acusados são orientados a ficarem calados, até que nossa equipe de advogados tenha acesso a todo o inquérito.

 

Como o senhor vê essa dificuldade da polícia em encontrar provas materiais neste caso?

 

Para ser honesto, isso é um problema da polícia. O que eu estou preocupado é com quem vai ressarcir a imagem desses meninos quando nada for provado.

Vocês se lembram do caso da Escola Base? Falo isso porque, além de denegrir a imagem, estão indo na casa de Bruno, em Esmeraldas (região metropolitana de Belo Horizonte). A polícia esburacou, arrebentou tudo. E eu pergunto: foi feita uma lista dos bens dele? Se prejuízo houve, como bens materiais, o Estado de Minas vai ter de responder. Isso, não tenha dúvida. Nós vamos entrar em breve com um pedido de posse da casa de Bruno e haverá uma verificação de todos os danos e tudo será cobrado do Estado.

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