O local é estranho e o silêncio é mais estranho ainda

Especialistas do Fisco enxergam dois fatos estranhos no caso da suposta violação do IR de Eduardo Jorge: o local do acesso aos dados da Receita, que não tem nada a ver com o domicílio tributário do dirigente tucano, que é o Rio de Janeiro, e o fato de a servidora ter deixado a função comissionada e "sumido".

Bastidores: Rui Nogueira, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2010 | 00h00

Um contribuinte do Rio, mas de férias na casa de um parente em Mauá, até pode se dirigir à agência da Receita desse município do interior de São Paulo para resolver um problema com o Fisco. A chance, porém, de ele ser atendido por um funcionário em Mauá que acesse sua declaração de IR é zero.

O carioca no gozo das férias que tenha sido convocado pela Receita do Rio terá um prazo para comparecer e ganhará a compreensão do Fisco se provar que as férias foram o motivo do atraso para atender à convocação. Portanto, o local de acesso ao IR de Eduardo Jorge é estranho, a menos que tenha havido uma indômita vontade de fazer a violação do sigilo fiscal dele.

Estranho também é o fato de a servidora não ter denunciado os usos supostamente indevidos de seu nome e de sua função. Se está sendo vítima de uma armação, nada justifica a timidez da defesa e o silencioso sumiço adotado desde a exoneração, em 8 de julho.

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