O luxo perdeu para as baterias, que levantaram o Sambódromo

Os últimos dois anos foram das alegorias gigantescas. Antes, o luxo das fantasias chegou a ser a aposta e São Paulo importou até Joãosinho Trinta. Agora, o samba paulistano procura um novo diferencial: inovar nas baterias. Mais um motivo para as musas disputarem como nunca o posto de madrinha, para sair à frente dos ritmistas. Se teve um momento em que a platéia do Sambódromo levantou toda de uma vez, em êxtase, foi graças à bateria. Diante dos setores 1 e 2 da arquibancada, a Águia de Ouro fez uma evolução que dividiu os ritmistas em dois grupos - para a passagem do mestre-sala e da porta-bandeira. Os 250 integrantes chegaram a batucar agachados. Na hora do recuo para avaliação dos jurados, os tamborins permaneceram na passarela. Em fileiras, fizeram referência à águia do abre-alas e, em seguida, uma paradinha. Em vários setores da arquibancada, ouviu-se o grito de ?campeã?. O segundo grande momento transformou o Anhembi em teatro. A Mancha Verde, com a força da batida que marca as escolas nascidas em torcidas de futebol - a exemplo da Gaviões da Fiel, que desfilou domingo pelo Grupo de Acesso -, já era um destaque. Mais surpreendente, dividida em ala verde e ala vermelha, a bateria também se abriu na avenida para saudar a madrinha Viviane Araújo, carregada num andor por passistas. Na seqüência, os ritmistas abriram outro corredor, dessa vez para a ala das baianas. Um único escorregão: o som ocasional de um sintetizador, que abafou o da percussão. Ousar na bateria já havia virado regra desde a sexta-feira à noite. A começar pela X-9 Paulistana, que há oito anos só tira notas 10 na bateria. Reconhecida pelas rivais como tecnicamente perfeita, a agremiação fez algo inédito: pôs ritmistas tocando pratos no meio dos naipes. A Tom Maior, por sua vez, levantou as arquibancadas do Anhembi em sucessão, a cada alteração de passo. As favoritas, Mocidade, Vai-Vai e Império, sem mudanças bruscas de ritmo, mostraram que ensaios diários para percussionistas viraram quase uma religião: entradas e saídas do recuo foram milimétricas, sem abrir buracos na evolução. Mas até nesse item a Unidos do Peruche resolveu sofisticar: os integrantes passaram pela área do recuo e voltaram de costas. Todas manobras dignas das grandes escolas cariocas. Como não poderia deixar de ser, o espetáculo do Rio segue como referência. As paradinhas da Águia de Ouro e Unidos de Vila Maria foram inspiradas na do mestre André, das históricas notas 10 da Mocidade Independente de Padre Miguel. Se as baterias, que já eram atração à parte, ficaram mais ousadas, melhor para as madrinhas. Para disputar com a mais cotada da primeira noite, Sheila Mello, da Império de Casa Verde, surgiu ontem sua ex-colega do É o Tchan: Scheila Carvalho, da Vai-Vai. ?Somos amigas, mas ela que me desculpe, o carnaval é da Vai-Vai.? Outros destaques foram Viviane, da Mancha, e Ellen Roche, sempre uma atração na Rosas de Ouro. No que diz respeito a ligação com a comunidade, porém, Nani Moreira, da Mocidade, mostrou-se imbatível na dispersão - havia fila de passistas para sambarem com ela. Alguns choraram de emoção. No ano passado, a fantasia de Nani pegou fogo e a modelo sofreu queimaduras de segundo e terceiro graus. ?Agora, estou 100% recuperada.? BRUNO PAES MANSO, FABIANO RAMPAZZO, JULIANA DE FARIA, JULIANA ARAÚJO E CINTHIA RODRIGUES

Agencia Estado,

19 Fevereiro 2007 | 08h05

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