O máximo, o mínimo e o possível

Com todo seu dinheiro e tecnologia, seus serviços de inteligência e armamentos, tropas bem preparadas, bem pagas e respeitadas pela população, as polícias de Nova York e de Los Angeles não conseguiram conter o tráfico e o consumo de drogas, que de ano para ano vêm aumentando.

Nelson Motta, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2010 | 00h00

Mas conseguiram diminuir drasticamente a violência urbana e os índices gerais de criminalidade, que, em Nova York, caíram nada menos do que 76% de 12 anos para cá. E o tráfico? Continua crescendo, mas não tem poder, não manda nada, nem afeta a vida do cidadão comum. Quem quer se destruir sempre sabe encontrar os meios.

Nessas cidades, que estão entre as mais ricas e as maiores consumidoras do mundo, os traficantes têm medo da polícia, fogem dela e jamais a enfrentam porque sabem que vão perder. E passar longos anos na prisão, sem celular, sem visitas íntimas, sem liberdade condicional com um sexto da pena cumprida. E pior: se for policial, vai apodrecer na cadeia, porque as penas são muito mais severas para os que usam a autoridade pública para o crime.

Mesmo com armamento pesado, que podem comprar livremente em qualquer loja, as quadrilhas de traficantes que abastecem esses ricos mercados não dominam sequer um quarteirão da cidade. Agem nas sombras e no submundo, vendem pela internet, pelo correio, por mensageiros, por infinitos esquemas que conectam a fome com a vontade de comer.

Já são 15 os Estados americanos que, por meio de referendos, liberaram a venda de maconha para "fins medicinais". Basta se cadastrar com uma receita médica com diagnóstico de estresse para comprar pequenas quantidades de maconha, plantada legalmente em pequenas propriedades fiscalizadas pela polícia. Os Estados estão enchendo os cofres com os impostos de milhares de bocas de fumo legalizadas. E planejam investi-los na prevenção e no tratamento de dependentes de drogas pesadas.

Não mudou nada, a criminalidade urbana não aumentou e o tráfico continua vendendo cocaína, crack, ecstasy e uma infinidade de novas drogas sintéticas, de fácil produção e transporte, baixo risco e alta lucratividade.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro ?

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