O médico que comanda uma fábrica de bebês

Eduardo Amaro, dono da Santa Joana, cuida da maior maternidade particular do Brasil

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

07 de junho de 2008 | 00h00

Eduardo Amaro atualmente é nome de uma rua paulistana que tem apenas três quarteirões no Paraíso, zona sul da capital. Esses aos poucos cedem espaço para o crescimento da Maternidade Santa Joana, inaugurada ali há 60 anos. O mesmo acontece com as ruas ao redor: Apeninos, Paraíso e Chuí. Mas Eduardo Amaro é também o nome do pediatra neonatologista, de 56 anos, responsável pelas expansões que, nos últimos dez anos, transformaram uma pequena casa na maior maternidade particular do Brasil. De lá, saem mil bebês por mês. "Meu sonho sempre foi ter uma maternidade top", diz Eduardo. "Por isso, estou sempre preocupado em aperfeiçoar as instalações e os serviços." O prédio principal do centro médico, hoje com sete andares, ganhou casas e prédios anexos, como um centro de higienização de água, com dois pavimentos, e um edifício de serviços. "Eduardo não deveria ter apenas registro no CRM (Conselho Regional de Medicina), mas também no CREA (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura)", diz Maria Augusta de Freitas, que trabalha há 33 anos com a família Amaro e atua como gerente-geral da Pro Matre Paulista, maternidade de primeira linha, incorporada pela Santa Joana há oito anos, na Alameda Joaquim Eugênio de Lima, travessa da Avenida Paulista, nos Jardins. Lá nasceram paulistanos conhecidos, como é o caso do apresentador Luciano Huck, da atriz Gabriela Duarte e da sua filha, Manuela, assim como de Tomáz, filho da também atriz Maria Fernanda Cândido. GRIFE"A Pro Matre foi uma oportunidade de negócio que apareceu na época e em um mês fechamos a compra. Trata-se com certeza de uma grife, mas se não recebesse investimentos entraria em declínio em curto espaço de tempo. Decidimos manter o nome. Sabia que tinha muito o que fazer", diz Eduardo. Com a ajuda de um empreiteiro, que acompanha a família Amaro desde a primeira grande reforma da Santa Joana, em 1987, Eduardo dobrou o número de leitos da Pro Matre - são 100 agora -, reformou os quartos mais antigos, aumentou o berçário e construiu uma UTI neonatal. Para isso, comprou o prédio anexo à maternidade, na Rua São Carlos do Pinhal, além de um terreno, onde brevemente deve erguer outro prédio, e uma casa nas proximidades para servir de vestiário aos médicos. "Tive de tirar alguns departamentos do prédio central da Pro Matre para aumentar os serviços e o conforto das parturientes."Agora, Eduardo cuida da construção do novo centro cirúrgico. "Quando estiver pronto, poderemos reformar o antigo." O atual tem praticamente a mesma infra-estrutura de 60 anos atrás. Na frente do Shopping Paulista, há um ano, o médico inaugurou mais uma de suas obras, o Centro Médico Pro Matre, um edifício de 14 andares. Um deles abriga a medicina fetal e o outro, em pouco tempo, receberá um centro de mama, montado em parceria com o Hospital Oswaldo Cruz."Ele é arrojado e está sempre pronto para novos desafios", diz o chefe do Departamento de Obstetrícia da Universidade Federal de São Paulo e coordenador da Medicina Fetal da Maternidade Santa Joana, Antonio Fernando Moron. "Ele foi o primeiro a montar um centro de medicina fetal num hospital. Antes, era um serviço prestado por clínicas particulares ou por hospitais universitários."IRMÃOS SIAMESES Enquanto Eduardo planeja e cuida das construções, seu irmão e sócio, Antonio, médico anestesista de 58 anos, preocupa-se com outro lado importante da gestão hospitalar: a satisfação dos pacientes e do corpo médico. "Os dois trabalham em perfeita sintonia. Eles se completam. É até engraçado, porque Eduardo e Antonio estão sempre juntos e nunca brigam. Parecem siameses", diz o presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, Nilson Roberto de Melo. Para se ter idéia do tamanho da proximidade dos dois irmãos, Eduardo é padrinho dos três filhos de Antonio. "Mas eles têm características completamente diferentes."Antonio, o mais vaidoso dos irmãos, do tipo que não tem um fio de cabelo na cabeça fora do lugar, coleciona carros esportivos antigos - um deles, uma Berlineta Interlagos, de 1964, fica guardado na garagem da Santa Joana. "Meu hobby é sair dirigindo sozinho." Por ser o mais sociável dos irmãos, Antonio é o responsável por desenvolver um bom relacionamento com outros hospitais. Já Eduardo ocupa o tempo livre com esporte. Corre cerca de seis quilômetros três vezes por semana e joga tênis na Santa Joana - sim, ele construiu uma quadra na maternidade, além de uma academia gratuita para os médicos e de uma piscina para as parturientes. "Temos um curso de hidroginástica especialmente direcionado para as grávidas. E todas, por segurança, entram na piscina equipadas com um polar (medidor de batimentos cardíacos)", diz ele. Um dos grandes feitos da Santa Joana é oferecer serviços e atendimento de qualidade às classes C e D. "Ela atende quem fica na enfermaria num padrão muito superior a qualquer outro outro lugar", diz a ginecologista do HC Cassiana Giribela. A maternidade também tem clientes de classe B. Oferece quartos espaçosos, bem decorados, com telas planas, uma para a TV e outra para as mães monitorarem os filhos no berçário. A segurança é outro ponto. As portas do berçário estão ligadas a um sistema digital de identificação. "Já recebemos muitos convites para levar a Maternidade Santa Joana para outros Estados, como o Rio. Recusamos. Não queremos perder o controle do negócio. " A expansão do Santa Joana é cautelosa. Na zona leste, próximo do Largo Nossa Senhora do Bom Parto, no Tatuapé, comprou-se um terreno, há quatro anos, que continua vazio. "O São Luís acabou de inaugurar um hospital na região. O Cema está construindo outro", diz Eduardo. "Vamos esperar para ver o que acontece. O setor de saúde está em efervescência."

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