O mundo subterrâneo sem segurança de São Paulo

A região metropolitana de São Paulo tem 6 mil quilômetros de galerias e dutos subterrâneos onde boa parte das pessoas trabalha sem condições de segurança, colocando em risco a própria vida. Esse assunto foi discutido hoje durante o seminário "Riscos de Explosões Urbanas", realizado na Faculdade de Engenharia, em São Paulo, e contou com participações de representantes de empresas petrolíferas, de energia elétrica, de telecomunicação, entre outras.Segundo a coordenadora da Comissão de Normalização de Espaços Confinados da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Paula Scardino, o evento tem por objetivo alertar a sociedade sobre a gravidade da situação quanto a riscos de explosões urbanas. Além disso, Paula ressalta que também é uma forma de cobrar providências das autoridades e, se necessário, exigir medidas para evitar acidentes em galerias e dutos subterrâneos.Os acidentes nesses locais causam, em algumas vezes, mortes múltiplas, asfixia, queimaduras de primeiro e segundo graus nos trabalhadores, explosões, entre outros, e, segundo Paula, ocorrem por falta de fiscalização das autoridades e negligência das empresas. "Um dos dispositivos para evitar acidentes para as empresas seria a utilização de detectores de gás que custam em média R$ 3 mil, mas as empresas não usam esse meio", comenta. "Infelizmente as empreiteiras e concessionárias priorizam a produção e não seus funcionários", acrescenta.Paula também acredita que se houvesse punição para as empresas que têm funcionários trabalhando em galerias e dutos subterrâneos, os acidentes poderiam ser evitados. Além de colocar a vida dos trabalhadores em risco, a negligência por parte das empresas, como explica Paula, também prejudica o meio ambiente. "Um risco espontâneo é o acúmulo de gasolina provocado por vazamentos de postos de combustível, que também contaminam o subsolo. "Tanto as empresas quanto as autoridades não se atentam a esse tipo de problema", comenta.O seminário também contou com as participações de representantes da Associação Brasileira de Ecologia e de Prevenção à Poluição do Ar (Abeppolar), da Associação Brasileira de Tecnologia Não-Destrutiva (Abratt) e da ABNT.Segundo Paula, essas entidades vão se reunir novamente na quinta-feira para dar seqüência ao procedimento técnico de confinamento de normas para problemas do gênero. "Estamos terminando o material sobre as normas de confinamento e esperamos que sejam incluídas em alguma lei para minimizar a situação", diz. Ela acrescenta que não dá para precisar o número de acidentes que ocorrem por conta de explosões urbanas, porque as empresas classificam a morte do funcionário como acidente de trabalho.

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