''O muro é parte da situação de criminalização dos favelados''

Luiz Antonio Machado estuda o fenômeno das favelas há 40 anos. É mestre em Antropologia e professor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro. "O muro não é discussão sobre problema ambiental. É parte da situação de criminalização dos favelados e da discussão sobre remoção." O que o senhor acha da decisão de murar as favelas do Rio para proteger o meio ambiente? As favelas sempre foram estigmatizadas. O muro não é simplesmente um problema ambiental. Ele entra como parte da situação de criminalização dos favelados e da discussão sobre a remoção. Já que não vamos remover, vamos encapsular. É verdade que providências precisam ser tomadas do ponto de vista ecológico. Mas política ambiental não existe sem política habitacional. Por que voltou a se discutir remoção de favelas no Rio? Remoção é um nome sujo e tem de permanecer sujo. Com a existência do tráfico de drogas, as favelas foram tachadas de território do crime. O medo e a insegurança na cidade implicam nesse desejo de afastamento porque as favelas são consideradas focos de violência. O muro serve para defender o meio ambiente? Como solução é ridículo. Com três marretadas, dá para fazer um buraco. São mil favelas. Não há fiscalização que resolva. Construir muro em favelas nas áreas mais nobres da cidade é fruto de pressão da classe média? Não há dúvida. Quanto mais afastada a favela estiver, melhor.

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