O passado e o futuro em só 2 mãos

Funcionária preserva único dos três museus de Mococa ainda aberto

, O Estadao de S.Paulo

08 Agosto 2009 | 00h00

A história de Mococa, embora rica - foi importante trincheira de tropas revolucionárias, em 1932 -, vem sendo deixada de lado. Dos três museus da cidade, dois não funcionam e outro, o Histórico e Pedagógico Marquês de Três Rios, em processo de municipalização, sobrevive pelos esforços de uma funcionária. Construído no fim do século 19, o casarão histórico onde funciona a instituição está infestado de cupins, as paredes têm rachaduras e, nos dois andares, não há extintores de incêndio. "Apesar do fogo, que consumiu o térreo do prédio, em 1992, há ainda todas essas falhas", conta a professora Eliana Galvani, que cuida do museu desde 1994. A preocupação é com o acervo - cerca de 5 mil peças, grande parte uniformes e armas da Revolução. "Parece que não aprendemos com os problemas pelos quais passamos antes." Na cidade, há também o Museu de Artes Plásticas, fundado com empurrãozinho de Assis Chateaubriand. Com doações expressivas do mecenas, o acervo com mais de 400 obras - entre elas, uma gravura de Tarsila do Amaral - está trancado há dois anos na Câmara. "Estamos procurando um novo espaço", diz o diretor do Departamento de Cultura, Antônio Ventura. "Mas não há verba." O Museu de Arte Sacra está fechado desde 2005, por problemas judiciais com a paróquia local. Mococa não tem dotação orçamentária para museus. "É preciso entender que municípios pequenos têm prioridades mais urgentes", diz Ventura. "O Estado está lavando suas mãos. Nunca ajudou esses museus do interior e agora sai de cena como mocinho." Em Casa Branca, o descaso é evidente no Museu Afonso e Alfredo de Taunay. A instituição, um das primeiras instaladas em São Paulo, em 1958, funciona numa sala de um prédio municipal. No local, há documentos de quase 200 anos, que revelam a origem de Ribeirão Preto, São José do Rio Pardo e Caconde. "Ficam armazenados num quartinho de 20 m². Aqui, tem gente que chama de almoxarifado municipal", diz Adolpho Legnaro Filho, o único funcionário. Em Pirassununga, o Museu Dr. Fernando Costa está fechado desde 2005, "montadinho", como diz o secretário municipal de Cultura e Turismo, Roberto Bragagnollo. Em 2002, o espaço, no entanto, foi cedido para a festa de peão. "Usaram o museu como sede administrativa e alojamento", conta o secretário. "O resultado foi que rasgaram fotos e levaram uma pá de prata que pertencia ao acervo." Depois de comprovado o sumiço, foi aberta uma sindicância. Enquanto nada se resolve, o museu fica fechado.

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