´O PSDB anda muito nervoso´, ironiza Lula

No terceiro bloco do debate realizado pela Rede Record, nesta segunda-feira, a jornalista Adriana Araújo, perguntou ao presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) qual a qualidade que ele aponta no adversário tucano Geraldo Alckmin como homem público.Lula respondeu que Alckmin "está demonstrando ser aqui uma figura que eu não conhecia", devido aos ataques feitos pelo tucano durante a disputa eleitoral. "Tenho assistido a campanhas que são um crime de cadeia, esse candidato não deveria concorrer", respondeu Lula. "Tinha a impressão de que ele era um sujeito altamente civilizado e tive boas relações durante a gestão FHC", continuou Lula sobre Alckmin. "Não vejo problema pessoal com nenhum adversário, e sim político", disse, ressaltando a troca de indelicadezas que marcou mais essa disputa eleitoral. Lula disse que o PSDB anda "muito nervoso"."Acho que, terminada essa campanha, seremos dois brasileiros, um eleito e outro não, ajudando o Brasil a crescer e se desenvolver", afirmou.No momento da réplica de Alckmin, houve manifestação na platéia, seguido de silêncio no estúdio. Passado este momento, o tucano começou dizendo que "não é possível o Brasil ficar nessa situação do ponto de vista ético. As coisas se repetem e são pessoas muito próximas", referindo-se novamente aos escândalos durante a gestão petista. O tucano comentou dizendo que "os problemas do Brasil não serão resolvidos se não tivermos um governo que respeite o dinheiro público". "Eu respeito as pessoas, mas não podem exigir de mim impunidade", se referindo aos escândalos que envolvem membros do governo. "O candidato (Lula) não deve ficar bravo com minhas críticas, mas com os fatos", concluiu.Ainda crítico, Alckmin rebateu as declarações de Lula: "Meu compromisso não é comparar com o passado. Meu compromisso é com o futuro. O Brasil precisa corrigir o que está errado. Ter um governo que funcione e não funcione apenas para os amigos", alfinetou. Em sua réplica, Lula afirma que "Alckmin bate na mesma tecla há três debates", mas que não se importa com a investigação da corrupção. O presidente citou que o mensalão começou em 1996, mas que não foi combatido, diferente de seu governo, que investigou. Ele concluiu dizendo que "pobre do governo que teme que as coisas sejam investigadas".´Não salvo a pele para jogar amigos´Ao ser questionado sobre qual é seu maior defeito como homem público, Geraldo Alckmin respondeu que tem muitos defeitos, mas não rouba e não coloca a culpa nas costas de amigos e responde perguntas, referindo-se a origem do dinheiro. "Certamente tenho muitos defeitos, mas roubar não", afirmou. "Posso ter muitos defeitos, mas tenho o compromisso com o povo brasileiro: os fins não justificam os meios". "Se eu errei, eu estou lá, não salvo a pele para jogar amigos", explicou o tucano. Para Alckmin, os fins não explicam os meios e os meios precisam ser sempre corretos. O tucano falou que no lugar de Lula responderia para o povo brasileiro de onde veio o R$ 1,75 milhão. "Eu olharia nos olhos dos brasileiros e chamaria as pessoas que conheço há décadas para saber. Não há nenhum País no mundo que tenha ido para a frente com a praga da corrupção", completou.Lula desfiou Alckmin a chamar o Barjas Negri, ministro da Saúde no governo de Fernando Henrique Cardoso, a perguntar até que ponto ele se envolveu no escândalo. Lula citou operações da Polícia Federal bem sucedidas para exemplificar o bom desempenho da PF em investigações."Ele poderia usar este exemplo (de chamar pessoalmente os envolvidos) para perguntar para o Barjas seu envolvimento", afirma. Lula diz ainda que, cada vez que uma pessoa se arvora no direito de resolver um caso pessoalmente, corre-se o risco de entrar num sistema autoritário.O presidente questionou em seu comentário: "Em que momento na história do Brasil tivemos um conjunto de fatores tão positivos para a economia?". Segundo o petista, houve aumento dos salários e diminuição da inflação. "A coisa está tão bem arrumada que o povo agora acredita que o Brasil pode crescer 5% ao ano". "Brasil vai crescer de forma sólida", completou. Já em sua réplica, Alckmin se comparou ao candidato à reeleição: "A diferença é que Lula acha que tudo está uma maravilha." Segundo o tucano, o governo atual levou à agricultura a maior crise dos últimos 40 anos e afirmou, também, que haverá, após às eleições, um "aumento exorbitante dos preços dos alimentos". "Eu quero colocar o governo a serviço da sociedade", finalizou.

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