''O que propomos é R$ 545'', diz Dilma sobre mínimo

Presidente defende fórmula que vincula aumento do piso salarial à variação do PIB e indaga centrais sindicais se querem que governo mantenha o acordo

Elder Ogliari / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

29 Janeiro 2011 | 00h00

A presidente Dilma Rousseff rechaçou ontem a pressão das centrais sindicais por um salário mínimo maior e reafirmou que o limite do governo é R$ 545. Ao defender a fórmula que prevê como índice de reajuste do mínimo a variação do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores ao aumento mais a inflação do ano corrente, ela ainda cobrou uma posição dos sindicalistas.

"O que nós queremos saber é se as centrais querem ou não a manutenção desse acordo pelo período do nosso governo. E, se querem, o que nós propomos é R$ 545", afirmou, durante entrevista coletiva após encontro com o governador Tarso Genro.

Dilma também dissociou a discussão do mínimo da correção da tabela do Imposto de Renda. "Jamais damos indexação inflacionária, por isso não concordamos com o que saiu nos jornais e era dito por várias pessoas, inclusive pelas centrais, que o reajuste, se houvesse, da tabela do Imposto de Renda, fosse feito pela inflação passada", ressaltou. "No que se refere a esse reajuste, teria sempre de olhar não a inflação passada, porque isso seria carregar a inércia inflacionária para dentro de uma das questões essenciais que é o Imposto de Renda. O que foi dado sempre foi uma mudança baseada na expectativa de inflação futura." E observou que, nesse caso, o índice é de 4,5%.

A presidente também deu a entender que não vê desencontro de informações entre os ministros Guido Mantega, da Fazenda, que negou estudos para a correção da tabela do IR, e Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, que trata do assunto com as centrais sindicais. "Jamais discutimos dentro dos últimos oito anos e também não discutiremos a partir de agora qualquer política de indexação", reiterou. "O ministro Mantega falou nessa direção."

Argentina. Sem entrar em detalhes, Dilma citou os principais temas de seu encontro com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, na semana que vem. Ela confirmou que a primeira viagem ao exterior reforça a importância que o Brasil dá às parcerias na América do Sul.

"Hoje, sem detrimento da Europa e dos Estados Unidos, a gente tem de perceber que o desenvolvimento de nosso país implica necessariamente fortalecermos o desenvolvimento da região, e aí o Brasil e a Argentina são parceiros muito importantes para fazer isso em relação aos países menores da América Latina", argumentou. "Temos de ter esse compromisso, que é compromisso de quem assume liderança num quadro regional."

Segundo Dilma, a reunião vai tratar da balança comercial, participação conjunta em organismos multilaterais como o G20, cooperação para uso pacífico de energia nuclear e investimentos conjuntos como a Usina Hidrelétrica de Garabi, no Rio Uruguai.

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