O radioamador que confirmou a tragédia

Ele relatou descoberta de destroços

Angela Lacerda, FERNANDO DE NORONHA, O Estadao de S.Paulo

03 de junho de 2009 | 00h00

Ele deu ontem em primeira mão, ao vivo, a notícia da localização do que seriam os primeiros destroços do AF 447. A FAB depois oficializou a informação. André Sampaio, radioamador premiado e considerado pessoa decisiva para a Ilha de Fernando de Noronha por sua participação em salvamentos de pessoas em mais de 20 desastres aéreos e marítimos nos últimos 20 anos, agiu como de costume. A diferença, segundo ele, é que, em vez de dar entrevista para a TV Golfinho (local), falou para jornalistas de todo o País - que divulgaram a notícia para o mundo.Ainda um tanto assustado com a repercussão do vazamento de uma notícia que os militares não pretendiam divulgar naquele momento - por volta das 7h30, hora de Brasília (8h30 em Noronha) -, André Sampaio não quis mais falar com a imprensa. A Aeronáutica, que já lhe deu a mais alta condecoração que um civil pode receber, a Medalha Santos Dumont, em 2004, teria lhe pedido para silenciar. Em entrevista ao Estado, ele não confirmou a reprimenda. O fato é que, depois de ter divulgado a conversa captada entre as tripulações de dois Hércules C-130 que faziam buscas, juntamente com um avião Casa, não teve acesso a nenhuma outra comunicação. Na conversa, tripulantes disseram ter visto pequenos destroços, mancha de querosene e um objeto que poderia ser uma poltrona, 153 km a noroeste do arquipélago de São Pedro e São Paulo, numa distância de cerca de 800 km do Arquipélago de Fernando de Noronha.Duas vezes campeão mundial de radioamadorismo, também detentor da medalha do Mérito Tamandaré, da Marinha, concedida em 2003, e do título Amigo da Marinha, de 1988, André Sampaio, de 59 anos, alagoano criado em Pernambuco é radioamador há 30 anos - 20 deles em Noronha. Ele espera que o episódio sirva para o governo brasileiro dar mais valor ao radioamadorismo. "Nos Estados Unidos há um programa de incentivo ao radioamadorismo e quase todo astronauta se torna radioamador; no Japão, há 1 milhão de radioamadores, enquanto no Brasil o radioamador é considerado cidadão de segunda classe", disse, ao lembrar que existem no País 30 mil radioamadores, "todos velhos".Entre os vários eventos de resgate dos quais participou, Sampaio cita o dos náufragos do navio de carga Iracema, que passaram sete dias em um bote de borracha, e de um veleiro que perdeu velas e motor, mas foi localizado a tempo de salvar os passageiros. Com uma estação muito bem equipada, ele dá apoio à Marinha ou Aeronáutica, pegando posição de barcos e aviões envolvidos em acidentes - quando todas as outras formas de comunicação falham - e repassando para os órgãos de busca. Como voluntário.

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