O raro encontro de dois ''presidentes guerrilheiros''

A visita da presidente Dilma Rousseff a Montevidéu marcará a reunião entre os dois únicos ex-guerrilheiros que chegaram à presidência de seus países na América do Sul por vias democráticas. No entanto, José Mujica passou mais tempo na prisão - 13 anos, entre 1972 e 1985.

AP, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2011 | 00h00

Apesar de seu passado de guerrilheiro tupamaro, Mujica é considerado pelos economistas um político pragmático e "market friendly", um líder confiável entre os agentes do mercado. Sua coalizão de governo é classificada de "centro-esquerda moderada". Em 2009, o próprio Mujica disse ao Estado que "a esquerda uruguaia tem peculiaridades que só funcionam no Uruguai". Antes disso, no entanto, ele sofreu, como poucos, as agruras de ser um resistente preso, nas mãos da ditadura.

Na solitária, Mujica padeceu por vários anos e teve sua saúde duramente abalada. Frequentemente, os guardas de prisão não lhe permitiam sequer que fosse ao banheiro durante o dia inteiro.

Em 1985, de volta à liberdade, o guerrilheiro adaptou-se aos novos tempos. Deixou de pregar a luta armada e criou o Movimento de Participação Popular (MPP). Candidato à presidência, para não assustar a classe média passou a dizer que não combateria mais a burguesia.

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