O repente que ajudou o presidente

O pernambucano João Bernardo 'auxilia' Lula a driblar Lei Eleitoral [br]ao pedir, de improviso, votos para Dilma em evento oficial

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2010 | 00h00

"De documento e documentação" o nome dele é João de Souza Gouveia e tem 62 anos, mas foi o repentista que usa o nome artístico de João Bernardo, de São José do Egito - "a terra imortal dos poetas" -, que deu uma mãozinha para o presidente Lula driblar a Lei Eleitoral e, na voz de um pernambucano, pedir votos para a candidata do PT, Dilma Rousseff.

"Estou vendo que tem um cantador ali, que quer tocar um repente, ali. E vamos lá", pediu o presidente. João Bernardo, ali no gargarejo, soltou o verbo: "Ô Lula meu presidente, você é muito gentil; sua terra é Garanhuns, seu nome vale por mil; com sua coragem e força, defende o mundo e o Brasil; hoje se acha presente, Caetés o mandou "praqui"; tu és muito competente, a Dilma vai sair à frente, e você tente novamente."

Seu João, que depois do episódio ficou famoso em segundos, contou aos jornalistas que vive entre São Paulo e o Nordeste. "Vou e volto", disse, ao lado do conjunto habitacional inaugurado ontem por Lula, acrescentando que na capital ainda não arrumou casa própria, mas já tem o seu canto em Pernambuco.

O conterrâneo do presidente jurou que não tinha nada combinado para sua apresentação com Lula, personalidade ilustre que ele, aliás, nunca tinha visto nem em seu Estado, nem em lugar nenhum do Brasil. Ontem foi a primeira vez.

"E isso vai prejudicar Lula, vai?", perguntou o repentista intrigado, ao ouvir a explicação de que o presidente, no palanque, em inauguração oficial, não podia pedir votos para Dilma. "Eu resolvi (o problema de Lula). Resolvi e foi bom."

E como Lula teve tanta sorte de ver o problema assim resolvido? "Ele sentiu na alma. O espírito dele combinou com o meu", filosofou o poeta. "Tá na cara que vou votar na Dilma", completou, dizendo o óbvio ululante.

Por fim, depois de um repente em homenagem aos jornalistas, João Bernardo disse que Lula foi um presidente humilde. E Dilma, será? "Ela pode não ser (agora), mas vai ter que aprender", previu.

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