O resgate de ''brasileiros e brasileiras''

No discurso de posse, Dilma deve enfatizar os gêneros masculino e feminino para dizer que seu governo vai dar oportunidades iguais

João Domingos, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2010 | 00h00

No discurso de posse, marcado para hoje, às 14h30, no Congresso Nacional, a presidente Dilma Rousseff vai reafirmar os compromissos com a estabilidade econômica, a responsabilidade fiscal e a área social, além de destacar os gêneros masculino e feminino. Quando fizer um agradecimento, dirá que o faz às brasileiras e aos brasileiros. Dirá, por exemplo, que foi eleita "presidenta" devido à confiança demonstrada no governo por "eleitoras" e "eleitores".

Trata-se de uma iniciativa que ela pretende fixar na mente dos brasileiros - e até orientou seus assessores a agirem assim e a chamá-la só de "presidenta". O recurso não é uma novidade: foi usado pelo então presidente José Sarney (1985/1990), que iniciava assim seus discursos: "brasileiras e brasileiros".

No primeiro pronunciamento oficial, a presidente eleita reforçará também o compromisso com a erradicação da miséria e o combate à pobreza, a ampliação dos programas sociais, como o Bolsa-Família e o Minha Casa, Minha Vida. A meta, dirá, é manter o crescimento da economia e gerar mais empregos.

Ela falará ainda em melhorar a educação, o atendimento à saúde, a segurança pública, com especial atenção para o combate ao crack, e em inserir o Brasil cada vez mais no cenário internacional. No total, a fala no Congresso deverá ter entre 30 e 35 minutos, de acordo com informação de assessores que prepararam o texto. É no Congresso que o presidente eleito presta o juramento de servir ao País.

Emoção. No primeiro discurso programado para o dia, no Congresso, vai prevalecer o tom solene, por meio do qual será feito um resumo de tudo o que a presidente pretende realizar nos próximos quatro anos.

Num segundo pronunciamento, previsto para ocorrer no parlatório do Palácio do Planalto, às 17h15, Dilma pretende adotar um tom mais emocional. De acordo com seus assessores, a presidente sabe que tanto ela quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vão chorar diante da multidão.

Na sua fala no parlatório, Dilma deve agradecer mais uma vez ao presidente Lula - que se despede do cargo hoje, depois de oito anos no poder - pelo apoio que garantiu a eleição da primeira presidente do Brasil. Dilma dirá que foi uma honra muito grande ter tido o privilégio da convivência com o presidente Lula e que com ele aprendeu a ter a dimensão do governante apaixonado pelo País e por sua gente.

No discurso solene do Congresso Nacional, Dilma vai dizer que foi eleita por uma coligação de 10 partidos, mais lideranças partidárias de outros que não a apoiaram oficialmente (a exemplo do PP, que garantiu o Ministério das Cidades para o ex-líder Mário Negromonte). Dirá que terá com o Congresso e com o Poder Judiciário uma relação de respeito, com o espaço reservado para cada um, regra básica da democracia.

Continuidade. Dilma quer afirmar ainda que seu governo vai procurar dar à mulher e ao homem oportunidades iguais, porque o Brasil está maduro para isso. Maior exemplo, dirá ela, foi a sua eleição.

Ao contrário de Lula, que há oito anos iniciou seu discurso pregando "mudanças diante de um modelo que se esgotou", a nova presidente falará que seu governo será de continuidade, mas sempre procurando melhorar e aperfeiçoar o que foi feito pelo antecessor.

Em 2003, quando encerrou o seu pronunciamento, Lula enfatizou: "Viva o povo brasileiro." Como faz questão de separar o gênero feminino do masculino, Dilma não poderá usar a mesma forma de tratamento. Se optar por uma linha semelhante, terá de desdobrá-la em vivas "às brasileiras e aos brasileiros".

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