Fabio Motta
Fabio Motta

O resgate do patrimônio imaterial

Mara Fantini, restauradora, responsável pelo projeto de recuperação do patrimônio imaterial das comunidades atingidas

Roberta Jansen, Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2017 | 03h00

MARIANA - A lama que soterrou vilarejos, envenenou o Rio Doce e chegou até o Oceano Atlântico também destruiu parte da história de Minas Gerais. Três igrejas construídas nos séculos XVIII e XIX em Mariana e Barra Longa foram invadidas pela tsunami de rejeitos. Muitas imagens sacras se perderam.

Para tentar recuperar parte desse patrimônio, a Fundação Renova criou uma reserva técnica em Mariana que já recebeu 2.134 peças ou fragmentos de peças dos acervos das igrejas, encontrados nos próprios vilarejos e também ao longo de todo o curso do Rio Doce.

As peças estão sendo limpas e recuperadas por uma equipe de especialistas e, dependendo do caso, serão devidamente restauradas e, no futuro, devolvidas às suas comunidades.

Mas o trabalho mais difícil, segundo a restauradora Mara Fantini, responsável pelo projeto, é o de recuperação do patrimônio imaterial das comunidades atingidas.

“Tudo o que encontramos dentro das igrejas trazemos para cá, sem fazer juízo de valor”, explicou Mara. “Não temos como julgar o que é importante para eles.”

Uma garrafa pet de refrigerante cheia de água foi um dos itens aparentemente inócuos levados pelos especialistas para a Reserva Técnica.

“Quando os moradores viram, se emocionaram muito”, conta Mara Fantini, ela mesma emocionada. “Era a água benta que o padre tinha deixado com a comunidade poucos dias antes da tragédia.”

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