O sapato sem sola e os sonhos de consumo

Enquanto FHC perdia a sola do calçado durante caminhada pró-Serra, Lula passeava entre carros esportivos no Salão do Automóvel

Daiene Cardoso e Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2010 | 00h00

No dia em que o ex-operário e presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou horas avaliando carros de luxo, o ex-professor e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso perdeu a sola de um dos sapatos em uma passeata.

Os eventos tiveram São Paulo como palco. Lula visitou o Salão Internacional do Automóvel e fez a festa de publicitários, marqueteiros e empresários do setor. FHC percorreu ruas do centro da cidade com outros tucanos e entusiastas da candidatura de José Serra (PSDB) à Presidência.

"Assim é que é bom, gastar sola de sapato", comentou o ex-presidente, ao ser questionado sobre o defeito no calçado. Praticamente ausente da campanha de Serra no primeiro turno, ele seguiu para sede o Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC) depois de caminhar em apoio ao correligionário.

Lula, sem percalços de mobilidade, mexeu no volante de uma Ferrari, autografou o vidro de um protótipo da Volkswagen e elogiou um modelo esportivo de R$ 785 mil da Audi, capota conversível, para demonstrar que tem sonhos de consumo exagerados, como boa parte dos frequentadores do Salão do Automóvel. "Este é um bom carro para um ex-presidente", disse, após entrar no veículo, segundo executivos da empresa.

Em poucos minutos, a frase atribuída a Lula era divulgada à exaustão pelos assessores de imprensa da fabricante alemã de carros para dezenas de jornalistas que cobriam evento, realizado no Pavilhão de Exposições do Anhembi.

A empresa ainda complementou a informação: o cantor Roberto Carlos foi o primeiro a encomendar um modelo do esportivo.

Em entrevista após a visita à feira, o presidente se assustou com perguntas dos repórteres sobre o carro alemão e a sua suposta frase. "Ah, nem (como) ex-presidente. Não posso utilizar aqueles carros. São muito bonitos os carros. Muito bonitos", despistou.

O presidente declarou que seu único sonho de consumo é voltar a assistir jogos do Corinthians na arquibancada do Estádio do Pacaembu, como fazia à época em que vivia em São Bernardo do Campo, cidade onde trabalhou em montadoras e despontou como líder sindical.

"Uma coisa que eu quero fazer no ano que vem - aí eu quero fazer prazerosamente - é comprar um ingresso para o Pacaembu, sentar na arquibancada e ver um bom jogo de futebol. Faz mais de dez anos que eu não faço isso."

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