O silêncio do bispo amigo do ditador Franco

Os padres de São Raimundo Nonato, principal cidade do sudoeste piauiense e um dos palcos dos conflitos entre a polícia de Getúlio Vargas e os agricultores de Pau de Colher, estão em busca de um milagre atribuído a dom Inocêncio López Santamaría, espanhol da ordem dos mercedários que comandou a diocese de 1931 a 1958.

, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2010 | 00h00

A biografia do religioso que a Igreja do Piauí quer transformar em santo esconde, porém, um capítulo polêmico. Inocêncio se omitiu durante os ataques ao arraial de Pau de Colher em 1938, formado principalmente por agricultores pobres dos povoados piauienses. Não há nos arquivos da diocese documentos que mostrem o envolvimento do bispo para impedir ou denunciar o massacre.

Num álbum de fotografias da casa paroquial de São Raimundo Nonato, o Estado encontrou um retrato do religioso numa animada conversa em Madri com o ditador Francisco Franco (1892-1975), que comandou o sanguinário regime autoritário espanhol. O generalíssimo Franco deu a Inocêncio, numa audiência na capital espanhola, a comenda da Ordem de Isabel, a Católica, em 1947.

Manuscritos da Igreja em São Raimundo informam que Inocêncio nasceu em Sotovellanos em 1874. Trabalhou em Madri e Roma antes de ser nomeado pelo papa Pio XI bispo de Bom Jesus do Gurgueia, Piauí, em 1930. Em São Raimundo Nonato, ele manteve uma forte relação com fazendeiros e políticos. O religioso morreu em Salvador, em 1958.

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