O tempo passa, as misses mudam. Mas as mães...

Enquanto as filhas se preparam para a disputa do Miss Brasil 2009, que acontece hoje, elas atuam nos bastidores de olho em todos os detalhes

Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

09 de maio de 2009 | 00h00

Era só uma lembrancinha do Maranhão, jura dona Tatiana Portela, um presentinho para a sua filha, nada inofensivo. Os quatro seguranças brutamontes do sexto andar do Hotel Bourbon Ibirapuera, no entanto, não concordaram muito não - que o diga o braço de dona Tatiana. "Eles me tiraram de lá correndo, mal deixaram eu sair do elevador e me escoltaram de volta para o lobby... Parecia coisa de filme", diz ela. "Ainda tomei bronca, falaram para não voltar mais lá. Me senti quase uma terrorista."Driblar seguranças-armários é apenas uma das habilidades compulsórias na vida das mães das 27 candidatas ao título de Miss Brasil 2009 - hospedadas há 11 dias em um hotel da zona sul de São Paulo para se preparar para a grande noite do evento, hoje, às 22 horas, no Memorial da América Latina. Enquanto as garotas estão lá aprendendo a desfilar, experimentando aqueles figurinos peculiares e aprendendo as normas do evento, as mães têm de encarar a tarefa como uma profissão. Viajam com as filhotas, consertam o vestido e o salto do sapato, se hospedam no mesmo hotel, espantam os fãs mais animadinhos e dão conselhos pelo telefone ("coloca gelo no olho para tirar a olheira..."; "respira profundamente para relaxar..."; "não liga para a Miss Minas Gerais não, filha, você é muuuuuito mais bonita..."). É um trabalho árduo, vamos e venhamos - além de mãe-coruja e presidente do fã-clube, elas também precisam estar de prontidão para a hora do choro, já que apenas uma das meninas representará o Brasil no Miss Universo. "Estamos em uma mistura de saudade e expectativa", diz Cida Ribeiro, mãe de Denise, Miss Distrito Federal. "Enquanto elas se divertem, nós ficamos nervosas."Com toda as suas idiossincrasias e seus momentos constrangedores, o concurso Miss Brasil ainda é encarado como religião por um batalhão de meninas que sonham em conhecer lugares novos, viajar e, por que não, ficar famosas. As mães embarcam na empreitada e ainda viram ótimas marqueteiras. "Minha filha é superinteligente, tem pose de miss e sempre foi linda, desde criança", diz Miriam Felisberto, mãe da Miss Rio Grande do Sul, Bruna Felisberto, que recentemente colocou próteses de silicone nos seios, corrigiu as orelhas e passou por uma plástica no nariz. "Ela nasceu pra isso."

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