O visionário que ajudou a urbanizar SP

Horácio Sabino - taquígrafo, editor, advogado e empreendedor - tem [br]sua história contada em livro; obra foi organizada por suas bisnetas

Edison Veiga, O Estadao de S.Paulo

20 Maio 2009 | 00h00

Horácio Sabino, o homem que empresta seu nome a uma praça em Pinheiros, na zona oeste, foi um empreendedor imobiliário sensível às mudanças urbanísticas enfrentadas pela "cidade que mais cresce no mundo", a São Paulo de seu tempo. Sua história está contada no recém-lançado livro Horácio Sabino - Urbanização e Histórias de São Paulo (Editora A&A Comunicação, 168 páginas, R$ 59), escrito por Carolina Andrade com pesquisa de Ana Carolina Layara Glueck - ambas bisnetas de Sabino."Foram sete anos de trabalho", diz Ana Carolina, que revirou o arquivo da família para produzir a obra. "Mas era um material que precisava ser publicado." Veja galeria com imagens sobre a vida e o trabalho de Horácio SabinoNascido em 1869 em Florianópolis (SC), Sabino se mudou para São Paulo ainda jovem. Aqui cursou Direito na Faculdade do Largo São Francisco e estudou e praticou a taquigrafia - atuou na primeira Constituinte da República, na Constituinte do Rio de Janeiro e no Congresso Legislativo de São Paulo. "Seu serviço era mais caro que o da concorrência, mas ele tinha uma vantagem: entregava os discursos para a revisão dos autores 24 horas após o pronunciamento", conta Ana Carolina. Nos anos 1890, Sabino passou a trabalhar também como editor de livros. Editou obras de Júlia Lopes de Almeida (1862-1934) e de Francisca Júlia da Silva (1871-1920) - a "musa impassível", homenageada por escultura homônima de Victor Brecheret (1894-1955). Após advogar por um tempo, voltou seus olhos para a urbanização de São Paulo. Casado desde 1894, herdou uma extensa área que pertencera ao sogro, Afonso Augusto Milliet, onde hoje fica o bairro de Cerqueira César, nas imediações da Avenida Paulista. Ali construiu a bela casa onde viveria - no endereço em que atualmente se localiza o Conjunto Nacional -, projetada por Victor Dubugras (1868-1933) em 1902. Decidiu lotear o restante das terras. Para tanto, fundou uma empresa, a Companhia Edificadora Vila América. E o novo bairro foi então batizado de Vila América, em homenagem à sua mulher, que se chamava América. Sua visão urbanística, com requintes de modernidade, proporcionava um avanço para a época. Tanto que ele não parou por aí. Foi sócio de empreendimentos da Companhia City e esteve à frente da Companhia Cidade Jardim, responsável pela urbanização dos arredores de onde hoje fica o Jockey Club de São Paulo. Sabino morreu em 1950. Recebeu, como homenagem póstuma, um texto do poeta Guilherme de Almeida (1890-1969) publicado no jornal Diário de São Paulo. Sua mulher, América, morreu 15 dias depois.

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