O voto nulo de Monica Serra

Mulher do presidenciável tucano recomenda voto só em Aloysio Nunes, já que Quércia desistiu

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2010 | 00h00

Liderando a Caminhada da Virada, com mulheres de tucanos candidatos pelo bairro de Santa Cecília, nas beiradas de Higienópolis, Monica Serra, mulher de José Serra (PSDB), foi saudada carinhosamente por muitos e hostilizada por outros tantos. O clima da campanha está mais polarizado do que nunca em meio a tantos escândalos e a professora sentiu isso na pele.

Ouviu tanto alguns "eu amo teu marido" e "vamos tirar o PT do governo" quanto um "fora daqui, elite branca" e um "vou votar é na Dilma" em alto e bom som. Mas se manteve com a impassividade de quem já foi primeira-dama do Estado e caminha pelas ruas com um indefectível coque enredado em um laço preto.

Ao orientar eleitores simpáticos ao partido do marido, recomendou alguns dos candidatos a deputado mais famosos, como Walter Feldman e Fernando Capez; recomendou o candidato ao Senado, Aloysio Nunes Ferreira; e, para segundo senador, recomendou que se vote nulo. "Nulo, professora?" "Nosso outro nome da chapa não está mais", justificou-se, ao se referir à renúncia de Orestes Quércia. Ponderou um segundo e recuou: "É, talvez eu tenha que repensar isso."

Monica estava acompanhada ainda de Gisele Nunes Ferreira, mulher de Aloysio, Silvia Domingos, mulher de Guilherme Afif Domingos (vice na chapa de Geraldo Alckmin) e Marisa Vasconcelos, mulher de Roberto Freire (PPS). Lu Alckmin também deveria participar do corpo a corpo, mas não apareceu. Perguntada se, com a demissão de Erenice Guerra do Ministério da Casa Civil, Serra poderia ganhar votos, Monica foi diplomática. "O Serra ganha voto com o trabalho dele. A demissão da Erenice tem a ver com as atitudes dela. Esses escândalos não são uma briga política, são coisas sérias que aconteceram num momento político importante. Agora, é coisa de polícia, da Justiça".

E sobre a repercussão no Twitter de sua frase a um eleitor do Rio de Janeiro, de que Dilma é a favor do aborto e de "matar criancinhas", encerrou o assunto em uma frase: "Foi uma má interpretação do que eu disse".

A caminhada de quase duas horas preocupou assessores a seu redor. "Ela não sabe fazer direito", reclamou uma das acompanhantes. "Fica parando muito para conversar". Monica não se abalou. Parou em pontos de táxi, lanchonetes, mercearias e até tomou um passa-fora de um mendigo. Logo atrás, Marisa, mulher de Freire, comentava que "em antigos redutos do PT, onde não se podia nem ouvir falar em Serra, já não é mais assim, ele está crescendo". "Tive esse retorno hoje, a moça que trabalha lá em casa me contou."

O evento acabou com uma visita de Monica a um baile da terceira idade no Clube Piratininga, onde um senhorzinho da recepção garantiu que faz campanha diária para os candidatos do PSDB pela mala-direta de mais de 20 mil pessoas do clube.

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