OAB-DF vai processar advogada de Beira-Mar

A Ordem dos Advogados do Brasil, seção do Distrito Federal (OAB-DF), decidiu instaurar processo ético-disciplinar contra a advogada Cecília Machado, responsável pela defesa do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.O presidente do OAB-DF, Safe Carneiro, informou que essa decisão foi tomada por causa da entrevista publicada nesta sexta-feira no Jornal do Brasil, na qual Cecília afirma receber, como pagamento por seu trabalho, dinheiro do tráfico de drogas.A polêmica declaração da advogada de Beira-Mar causou indignação em advogados e no presidente da OAB nacional, Rubens Approbato Machado, em encontro realizado em Goiânia dos dirigentes das 27 OABs estaduais.Em meio à discussão sobre os assassinatos dos juízes de Presidente Prudente (SP), Antônio José Machado Dias, e do Espírito Santo, Alexandre Martins de Castro Filho, o presidente da OAB-DF comunicou que já havia encaminhado pedido para abertura de processo contra Cecília.Em tom de protesto, Approbato divulgou nota na qual afirma que a profissão de advogado não é "mercantilista" e disse que o exercício da advocacia é baseado no princípio da "ética da remuneração". "A profissão do advogado é de meios e não de fins. Não é uma profissão mercantilista, embora seu exercício, por óbvio, tenha que ser remunerado. O código de ética e a lei estabelecem a forma ética da remuneração. Por essa razão, o valor pago em nome de ´honorários´, vocábulo latino de ´pro honori´ - pela honra de usar um profissional que tem no seu exercício uma função social", declarou Approbato por meio da nota.Como Cecília Machado é registrada na OAB do Distrito Federal, ela tem de ser processada pela entidade da capital. Ao final da ação, poderá perder o direito de exercer a profissão, caso se comprove que ela tenha ganho dinheiro do tráfico.Nesta sexta-feira, em entrevista ao Estado, Cecília não quis confirmar se recebe do tráfico, mas disse que não está preocupada em saber qual é a origem do dinheiro."Eu trabalho para um traficante. Faço meu trabalho e acredito que todo ser humano tem direito à defesa. Não me interessa saber de onde vem o dinheiro", declarou Cecília, que estava em Maceió, para onde foi transferido seu cliente. "Eu não pergunto para o Fernando (Beira-Mar) de onde vem o dinheiro", acrescentou.Cecília se mostrou indignada com as notícias veiculadas pela mídia que associaram a morte dos juízes a Fernandinho Beira-Mar. "Meu cliente não tem relação com essas mortes. Tudo o que acontece nesse País vai para a conta do Fernando", protestou. Ela disse que trabalha para Fernandinho Beira-Mar há dois anos e que tem vários clientes, um dos quais um outro traficante que está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.Ela não quis revelar o nome desse cliente, mas disse que foi contratada por Beira-Mar quando conseguiu, na Justiça, que esse outro traficante cumprisse parcialmente sua pena em regime semi-aberto. "Mas ele (traficante cujo nome não foi revelado) está preso novamente, porque cassaram esse direito."Nesta sexta, Cecília pediu à Polícia Federal de Maceió que Beira-Mar tenha o direito de receber, na prisão, visitas de advogados e familiares. "Esse é o direito de qualquer cidadão." Veja o especial:

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