OAB não gostou do que viu na prisão do advogado Cuzzuol

A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção do Rio, Ester Kosovski, disse hoje que ?o corporativismo às vezes existe em qualquer corporação? ao comentar a visita feita por ela e mais cinco integrantes da comissão ao advogado Paulo Roberto Cuzzuol, no Presídio Ary Franco, em Água Santa, zona norte do Rio.Cuzzuol foi preso em flagrante na sexta-feira pela Polícia Federal com US$ 320 mil e cartas do traficante Luiz Fernando daCosta, o Fernandinho Beira-Mar, seu cliente. Levado para o Ary Franco, o advogado teve o cabelo e a barba raspados, práticacomum a todos os presos, o que revoltou a OAB. A visita, que durou uma hora, foi motivada pela ?suspeita de violação dosdireitos humanos do advogado?.Ester disse, ao sair do presídio, que a ?situação de Cuzzuol (na prisão) tem que ser regularizada enquanto ele for advogado? eameaçou ?acionar os dispositivos necessários? para que isso ocorra, sem esclarecer quais seriam as eventuais medidas.Questionada pela reportagem se a atitude da OAB não poderia ser interpretada como corporativista, Ester disse que a comissãode ética da entidade também está analisando a acusação contra o advogado e que sua função seria ?verificar a situação delecomo ser humano, se foi forçado a alguma coisa ou teve seus diretos violados?.?O corporativismo às vezes existe em qualquer corporação. Qualquer advogado que tenha seus direitos violados pode apelar àOAB. A entidade recebe contribuição de seus membros e deve proteger seus direitos, mas também pune aquele que se desviada sua função. ? Cuzzuol será julgado pela comissão de ética da OAB no dia 5 de fevereiro. ?Uma acusação não é julgamento,isso ainda não significa nada. Ele não foi condenado, ainda está na condição de advogado?, declarou Ester.De acordo com a presidente da comissão, Cuzzuol ? que estava numa cela com outros 12 presos federais ? relatou não ter sidoagredido e também disse que não foi forçado a fazer nada. Para ela, o fato de agentes penitenciários terem raspado o cabelo e ocavanhaque do advogado ?pode ter sido uma retaliação?, por causa da ?notoriedade? que ele teria recebido por ser advogado deBeira-Mar.A secretaria de Administração Penitenciária informou que normas como o uso de uniforme padrão e o corte de cabelo e da barba?são seguidas há mais de 30 anos, para todos os presos, a fim de preservar as condições de higiene e facilitar avaliaçõesmédicas?. Ester concluiu que ?aparentemente ele não sofreu violência física?, mas defendeu que o advogado seja transferido para uma prisão especial.Segundo ela, a visita também tinha o objetivo de verificar as condições de outros presos na carceragem. O Ary Franco é umpresídio estadual, mas tem uma ala destinada a presos da Polícia Federal. Além de Ester, participaram da visita os advogadosWanderley Rebello, Geraldo Bezerra de Menezes, Heitor Piedade, José Antônio de Souza Batista e Armando Marinho Filho.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.