OAB-RJ pede que polícia proteja advogados ameaçados

O presidente da seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), Octávio Gomes, pediu garantias de vida à Polícia Civil para dois conselheiros da ordem. Um telefonema ao Disque-Denúncia informou que os advogados Nélio Andrade e Ronaldo Mesquita seriam assassinados por traficantes do Morro do Timbau, no Complexo do Alemão, na zona norte. Andrade e Mesquita investigaram e denunciaram um esquema de advogados que serviam como pombos-correio de seus clientes presos.Além de revelar o perigo que Andrade e Mesquita corriam, quem fez a denúncia avisou ainda que os filhos dos advogados poderiam ser mortos, caso seus pais não fossem encontrados. E ainda informou o prazo: antes de 23 de dezembro.A denúncia chegou dois dias depois da suspensão preventiva do registro de uma advogada de traficante, cujo nome não foi divulgado. Ela não conseguiu explicar o motivo de visitar seus clientes condenados com tanta intensidade.A ameaça levou o presidente Octávio Gomes a pedir proteção ao titular da Delegacia de Homicídios Paulo Passos. "A ameaça dos bandidos é uma ameaça também contra a sociedade, porque os conselheiros investigaram a cumplicidade entre mais advogados e o crime organizado", afirma o presidente da OAB. "É também uma afronta à grande maioria dos advogados, que exerce a profissão com seriedade."O advogado Ronaldo Mesquita, um dos ameaçados, disse que não pretende deixar a cidade. "Não vou sair do Rio porque não sou cachorro para fugir. Quem foge é criminoso, e são eles que têm de se preocupar", afirmou. Ele tem um filho e não pretende mudar sequer a rotina da família.Alta freqüênciaMesquita foi secretário da comissão da OAB que investigou a atuação de cerca de 120 advogados. O trabalho teve início durante a CPI do Narcotráfico, quando deputados da comissão receberam relatório informando que traficantes eram visitados com freqüência fora do normal por dezenas de advogados. Somente Ernaldo Pinto Medeiros, o Uê, recebia a visita de 22 advogados. Vários profissionais foram punidos. "Quando advogados começam a ter esse comportamento de pedir vingança a seus clientes traficantes, isso demonstra que o envolvimento deles é maior do que eles informam", disse. O advogado Nélio Andrade não foi localizado pelo Estado.

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