OAB-SP diz não ter acusado secretário de Segurança

A seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou nota nesta terça-feira isentando o secretário da Segurança Pública, Saulo Abreu, das acusações de envolvimento com esquema de infiltração de presos em quadrilhas pelo Grupo de Repressão e Análise dos Delitos de Intolerância (Gradi). A carta do preso R.C.C., que afirma ter tido contato com Saulo, foi divulgada pela OAB em uma entrevista coletiva no dia 7.Hoje o Movimento Nacional de Direitos Humanos - que reúne mais de 300 entidades no País - decidiu pedir o afastamento imediato de Saulo do cargo. "Para o bem do melhor andamento da investigação", disse Ariel de Castro Alves, da coordenação estadual do movimento.O coordenador da Comissão de Direitos Humanos da OAB, João José Sady, fez críticas à demora da secretaria em fornecer informações sobre apuração da morte de 12 supostos integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), em março, numa estrada na região de Sorocaba, em confronto com a polícia.A suspeita é de que tenha ocorrido uma execução sumária. Os policiais do Gradi - ligado ao gabinete do secretário - teriam recrutado presos para que eles inventassem a membros do PCC a existência de uma avião pagador e que poderia ser facilmente assaltado. Os bandidos teriam sido executados pela polícia a caminho do assalto que não existia. Segundo a carta, o planejamento teve participação de Saulo, que teria até falado com o preso.Sady afirmou que essas acusações contra o secretário eram "extremamente preocupantes". A OAB diz na nota que o uso de presos em operações de infiltração pela Polícia Militar "precisa ser cuidadosamente apurado."Sady disse que a nota da OAB não é um recuo no discurso da entidade. "Em nenhum momento fizemos acusações contra o secretário. Dissemos que existem sérios indícios de que o Gradi descambou para o crime organizado". O advogado chegou a afirmar que as acusações contra o secretário foram "ilações da imprensa".Sady disse que para limpar qualquer suspeita, ele (Saulo) deveria exigir a apuração. "Não fizemos nenhuma acusação contra o secretário", disse. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) voltou a dizer hoje que não vai tirar do governo o secretário. "Já me manifestei. Não vou afastar o secretário. O governador anunciou que o policiamento da cidade será reforçado. "Teremos 5.778 novos policiais na capital." Serão, entre outros, 2.664 policiais temporários, 150 bombeiros e 148 guardas de muralhas. "A capital tinha 48.144 passa para 53.929 policiais." O governador disse que devem ser liberados do serviço de guarda de muralha cerca de 3.700 PMs, que estarão nas ruas a partir de 4 de novembro.

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