Obama agradece análise da Justiça Federal no caso Sean

Guarda do menino de 8 anos é disputada entre o pai americano e o padrasto brasileiro

Patrícia Campos Mello, correspondente de O Estado de S. Paulo

14 de março de 2009 | 17h56

O presidente americano Barack Obama fez questão de falar sobre o caso Sean Goldman durante seu encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Casa Branca. "Obama agradeceu a posição do governo brasileiro de fazer com que o processo fosse para a Justiça Federal", disse Lula em entrevista coletiva após o encontro.

 

O americano Goldman luta há mais de 4 anos pela devolução de seu filho Sean Goldman, de 8 anos. David casou-se com a brasileira Bruna Bianchi Ribeiro em 1999 e, em 2000, nasceu o filho deles, Sean. Quatro anos depois, Bruna levou o filho para o Brasil e, chegando lá, pediu o divórcio de David. No Brasil, ela entrou na Justiça pedindo a guarda do filho.

 

Bruna se casou de novo em 2007 com o advogado João Paulo Lins e Silva, filho do advogado Paulo Lins e Silva, da família do jurista Evandro Lins e Silva. João Paulo foi o advogado contratado por Bruna no pedido de guarda do filho. Bruna morreu em agosto de 2008, em decorrência de complicações no parto da filha do casal. Mas Sean continua no Brasil, vivendo com o padrasto, que se recusa a devolvê-lo para o pai. O padrasto conseguiu a guarda da criança na Justiça brasileira.

 

O caso ganhou repercussão nacional nos Estados Unidos, e transformou-se em saia-justa diplomática. Os EUA insistem que o caso seja analisado sob a ótica da Convenção de Haia de sequestro internacional de crianças, segundo a qual Sean deveria ser restituído ao pai. No entanto, o Judiciário brasileiro tratou o caso como disputa de guarda simples, ignorando a Convenção de Haia, e deu ganho de causa à mãe Bruna.

 

Agora que o caso está na alçada federal, espera-se que dê ganho de causa para David Goldman, porque a justiça federal dá mais importância a acordos internacionais. "O problema está na justiça federal, por obra do Ministério das Relações Exteriores e da Secretaria dos Direitos Humanos, que fizeram com que saísse da justiça do Estado do Rio e passasse para a justiça. Nós esperamos que a justiça faca o que tenha que fazer, qualquer que for, o governo brasileiro respeitará. Graças a Deus temos poder judiciário com autonomia."

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