Obelisco do Ibirapuera está com problemas na estrutura

Problemas sérios na estrutura do Obelisco dos Heróis de 1932, que fica no Parque do Ibirapuera, na zona Sul de São Paulo, estão causando a instabilidade do monumento e colocando em risco quem passa ou trabalha por ali. Segundo engenheiros, não está descartada a possibilidade de que o obelisco desabe ou afunde. Os sinais de que há algo errado com a estrutura de 81 metros ? 72 visíveis e nove abaixo do solo ? estão comprovados em laudo assinado pelo engenheiro Marcos Moliterno, entregue à Justiça na quarta e obtido ontem pelo Jornal da Tarde. Moliterno analisou o obelisco a pedido da juíza Maria Lúcia Pizzotti Mendes, da 32ª Vara Cível do Tribunal de Justiça. Ela é a responsável pela ação impetrada por Fiametta Emendabili, filha do escultor Galileu Emendabili, autor do obelisco, com a finalidade de suspender uma reforma pela qual passa a obra. O laudo sugere um imediato acompanhamento geológico do solo e da movimentação do obelisco. Segundo o documento, sinais externos como as abundantes rachaduras verticais nas quatro paredes do obelisco evidenciam que ele sofre com o que os engenheiros chamam de ?recalque diferenciado?? o afundamento das fundações. Com um ou mais pontos de apoio deficientes, abaixo do solo, todo o peso da estrutura, que equivale a um prédio de 18 andares, fica distribuído pelos demais pilares, não projetados para agüentar toda a carga. Segundo um engenheiro especializado em obras públicas, a situação equivale a uma mesa, de quatro pés com um deles menor que os demais. Pesada, ela pode arrebentar. O alerta é feito também pelo presidente do Condephaat, órgão estadual que acompanha as obras, José Roberto Melhem. ?Já tínhamos detectado há três anos esse risco. A situação era até mais branda, mas agora evoluiu?, diz. ?Se nada for feito, o obelisco pode cair, inclusive dentro do Túnel?, concorda o especialista. Culpa do túnelUm dos culpados, segundo o laudo de Moliterno, é o próprio túnel. As pistas, que estão a apenas 10 metros dos pilares de sustentação do obelisco, causam vibrações não previstas quando da construção da obra. Isso se soma ao movimento causado pelo trânsito das avenidas ao redor, como a Pedro Álvares Cabral e 23 de Maio, e à instabilidade do solo na região, já que a 23 foi construída sobre um córrego. Durante a elaboração do laudo, Moliterno solicitou à Prefeitura estudos geológicos da região, que deveriam ter sido feitos na época da construção do Ayrton Senna. Não conseguiu, depois de 10 dias de insistência ? ou porque não foram feitos ou porque se perderam. A Secretaria de Infra-estrutura Urbana não retornou o telefonema para comentar. A Claro, empresa que patrocina a reforma do obelisco, também foi procurada e informou que só se manifesta sobre o laudo depois que recebê-lo oficialmente. Procurada, a Sociedade Veteranos de 1932, que mantém o obelisco, inaugurado em 1954, não se manifestou.

Agencia Estado,

13 de abril de 2004 | 09h07

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