Obelisco segue sem previsão de reabertura

Reforma planejada há 3 anos mudou de mãos, mas continua sem prazo

Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

08 de julho de 2008 | 00h00

Mais um aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932 vai passar sem que o principal monumento de São Paulo em homenagem aos ex-combatentes esteja recuperado e aberto ao público. A reforma do Obelisco do Ibirapuera, planejada desde junho de 2005, ainda depende da impermeabilização do terreno, cuja conclusão ocorrerá nos próximos dois meses. Para o desfile de amanhã, porém, o mausoléu onde estão os restos mortais de 713 ex-combatentes seguirá fechado. O espaço onde está o Obelisco, na Praça Ibrahin Nobre, não recebeu nova iluminação e, além de fechado, está cercado por pilhas de concreto e de areia.Inaugurado em 9 de julho de 1955, o Obelisco tem 72 metros de altura e guarda os restos mortais de ex-combatentes e dos 4 estudantes mortos em um protesto contra o primeiro governo de Getúlio Vargas (1930-1934). Das iniciais desses estudantes saiu a sigla MMDC (Martins, Miraguaia, Dausio e Camargo). Com infiltrações no teto, o museu, em frente ao Parque Ibirapuera, não tem previsão de reabertura.Nos últimos quatro anos, o plano de revitalização do Obelisco já passou por iniciativa privada (Claro), associação sem fins lucrativos (Sociedade Veteranos de 32), Prefeitura e governo estadual, e nunca foi concluído. Em maio, com atraso de quase dois anos, tiveram início as obras de impermeabilização. Dos R$ 5 milhões da revitalização, foram gastos só R$ 624 mil.O Estado assumiu em junho de 2006 a administração do local, antes feita em parceria entre a Prefeitura e a Sociedade de Veteranos de 32. Em 2005, a família do escultor italiano Galileu Emendabili (1898-1974) entrou com ação na Justiça contra a exploração comercial do espaço pela companhia telefônica que realizava a revitalização. Diante do impasse, a gestão Gilberto Kassab (DEM) transferiu o monumento para o Estado, que colocou a PM para cuidar da execução do projeto."Mais 60 dias e a impermeabilização estará concluída. Depois precisamos contratar empresa especializada em restauração e passar o processo pelo Condephaat (Conselho Estadual de Defesa do Patrimônio Histórico)", afirmou o capitão Dover Agassi, responsável por vistoriar as obras. "Pode ver que hoje isso aqui parece um canteiro de obras. Primeiro, temos de resolver os problemas de infiltração para iniciar as outras intervenções", acrescentou. Procurado, o comando da PM informou que não há prazo para a conclusão das obras de revitalização e a reabertura do mausoléu. "É um descaso com o maior patrimônio do País aos heróis de 32. Independentemente de parcerias, é dever do Estado manter o mausoléu conservado e aberto ao público", criticou Randolpho Marques Lobato, de 72 anos, filho de ex-combatente e um dos que estarão no desfile amanhã em comemoração ao 9 de Julho.

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